O Globo, Opinião, p. 2
04 de Ago de 2018
Tempestades de fogo reforçam necessidade do Acordo de Paris
Catástrofes naturais se multiplicam pelo mundo devido à mudança climática e ao aquecimento global
Os incêndios sem controle que recentemente deixaram um rastro de destruição e morte reforçam o consenso entre cientistas e especialistas sobre a urgência em tentar conter o aumento da temperatura média do planeta. À medida que a terra queima em várias partes do mundo, volta à pauta o compromisso dos países assumidos no Acordo de Paris, de conter o aumento da temperatura a 2 graus Celsius neste século.
Os mais de 800 quilômetros quadrados de incêndios florestais na Califórnia chegaram às áreas urbanas, provocando seis mortes e obrigando cerca de 40 mil pessoas a abandonarem seus lares. A intensidade desses focos é de tal magnitude, que foi registrada por satélite, e ganhou o nome de "tempestades de fogo".
Esses incêndios são alimentados pela combinação de onda de calor, estiagem e intensos ventos. Segundo especialistas, o comportamento dessas queimadas tem seu próprio ciclo, ressurgindo em áreas onde o fogo já foi debelado, o que torna o seu combate e controle bastante difíceis. Enquanto isso, a Costa Leste americana é inundada por fortes chuvas, e a região das planícies, castigada por um número anormal de tornados.
Mas o comportamento errático do clima não se restringe aos Estados Unidos. Na Grécia, na semana passada, 91 pessoas morreram devido a uma série de incêndios descontrolados na região a 29 quilômetros ao leste de Atenas. Foi a maior tragédia desse tipo desde 1900. Em Sodankylä, no Norte da Finlândia, a temperatura atingiu 32 graus Celsius pela primeira vez na História.
Suécia e Noruega também foram castigadas por incêndios, e a Alemanha pena com estiagem desde maio. Boa parte do Brasil sofre com a queda acentuada da umidade e vive um inverno com temperaturas de verão.
No Japão, na semana passada, os termômetros registraram 41 graus Celsius - novo recorde histórico -, e a onda de calor levou à morte pelo menos 80 pessoas, após as chuvas torrenciais, que deixaram ao menos 200 mortos. Na Argélia, a temperatura atingiu 51 graus Celsius, em Ouargla, em 5 de julho.
A revista "The Economist" calcula que o impacto econômico pode ser devastador, sobretudo nas regiões mais pobres. Enquanto os fenômenos climáticos atípicos se multiplicam em intensidade e duração, o custo para a produtividade global pode chegar a US$ 2 trilhões até 2030.
Já não se trata da velha discussão sobre se o aquecimento global é ou não causado pela ação do homem. Dada a presente situação, os governos terão que fazer o que estiver ao seu alcance para cumprir as metas estabelecidas no Acordo de Paris.
O Globo, 04/08/2018, Opinião, p. 2
https://oglobo.globo.com/opiniao/tempestades-de-fogo-reforcam-necessida…
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.