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'Temos de usar nossos recursos'

OESP, Economia, p. B15
Autor: MORAES, Antônio Ermírio de
19 de dez de 2006

'Temos de usar nossos recursos'

Entrevista: Antônio Ermírio de Moraes, Presidente do conselho de administração da Votorantim

Para Antonio Ermírio, País precisa investir mais em geração hidrelétrica como forma de aumentar a competitividade

Milton F. da Rocha Filho

A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do Grupo Votorantim, pretende chegar a 2011 com uma produção anual de 615 mil toneladas de alumínio. De acordo com o presidente do conselho de administração da Votorantim, Antonio Ermírio de Moraes, quando atingir este patamar, o grupo já prevê também investir em uma fábrica de alumina, próxima a Conselheiro Lafaiete, em Minas Gerais. Em fevereiro, a capacidade de produção anual da CBA deve chegar a 475 mil toneladas - hoje, é de 405 mil -, com investimentos de US$ 235 milhões. Para conseguir chegar a esses patamares, o grupo também investe em geração de energia elétrica. A meta é ter 60% de geração própria. De acordo com Antonio Ermírio, um outro foco do grupo é a expansão na produção da Companhia de Níquel Tocantins. "Estamos atentos às oportunidades neste setor", disse, lembrando que o preço do níquel chegou a US$ 30 mil a tonelada este ano. A seguir, a entrevista do empresário:

A CBA vai atingir a meta de concluir a expansão da CBA em 9 de janeiro?

Estamos atrasados exatamente nove dias. Acho que no dia 18 vamos inaugurar a nova fase de expansão. Serão 196 fornos instalados ao final desta etapa. Os equipamentos já estão sendo entregues e quase 70 já estão montados.

Qual o total dos investimentos nessa fase (que vai elevar a capacidade de produção de alumínio da CBA de 405 mil toneladas para 475 mil toneladas por ano)?

Esses investimentos chegam a US$ 235 milhões. Nossa produção vem crescendo a uma média de 10% ao ano desde 1955, quando chegávamos a 2 mil toneladas anuais.

A Votorantim pretende construir uma nova usina hidrelétrica?

Vamos chegar a 475 mil toneladas de alumínio com 60% de energia própria. A Usina de Campos Novos já deveria ter entrado em atividade, mas só agora o lago está enchendo. Creio que no dia 1o de março já poderemos contar com a energia desta hidrelétrica, que vai dar 800 milhões de quilowatts/hora/ano para a CBA. A usina de Campos Novos teve um problema na sua barragem, que já foi sanado.

As 475 mil toneladas de alumínio que serão produzidas pela CBA serão beneficiadas?

Vamos procurar beneficiar tudo, sempre que pudermos. Vamos agregar valor, com laminadores, mais cabos de alumínio e outros produtos.

Depois desta expansão, quais os próximos passos já definidos?

Para chegar a uma nova expansão, vamos dividir em dois módulos, até atingir 615 mil toneladas. Teremos dois módulos de 70 mil toneladas cada um. O investimento será feito dessa forma para torná-lo mais barato. A cada dois anos, no mínimo, deveremos aplicar mais US$ 300 milhões, o que tornará mais forte ainda a liderança da CBA no mercado nacional.

E com as 615 mil toneladas, para onde será a expansão da CBA?

Creio que iremos para Minas Gerais, próximo a Conselheiro Lafaiete. Lá estaremos próximos da produção de bauxita, a matéria-prima do alumínio. Podemos trazer a alumina de lá para cá, pela estrada de ferro. Ficamos também no caminho do porto, para exportar.

Quantas minerações de bauxita tem a CBA hoje?

Temos três minerações de bauxita no País. Duas em Minas Gerais - em Poços de Caldas e Miraí - e outra em Goiás, no mesmo paralelo de Belo Horizonte. Com a nova fábrica, nós produziríamos alumina em Minas e a traríamos para a CBA em São Paulo.

Como está mercado de alumínio hoje, tanto para exportações como para o mercado interno?

As exportações da CBA representam 35% de sua produção. O mercado interno está bem, em alta. Temos de dosar as exportações com o mercado interno.

Para o mercado externo, qual é o segredo para não ter prejuízo com o real valorizado?

Temos de ter produtividade e competitividade. A energia própria traz esta produtividade. Hoje a CBA tem controle próprio sobre oito hidrelétricas, além de participar de outras companhias geradoras. O segredo da produtividade é ter de 50% a 60% de energia própria. Fica muito caro produzir alumínio sem ter essa energia. Esperamos construir uma hidrelétrica no rio Ribeira do Iguape. Estamos negociando. Já temos máquinas compradas e estamos preparados para a sua construção. O Brasil tem de gerar energia hídrica. Se o País não aproveitar a energia hídrica vai perder tempo e dinheiro. Temos de usar os recursos que Deus nos deu.

Em que outras áreas o grupo pretende investir?

O níquel chegou a custar US$ 30 mil a tonelada. Se aparecer uma oportunidade vamos ampliar nossa participação neste setor. O importante é que acreditamos no País, por isso é que estamos investindo pesado.

OESP, 19/12/2006, Economia, p. B15

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