O Globo, Economia, p. 36
09 de Dez de 2010
Telecom reduzirá emissões em 15% até 2020
Setor apresenta meta voluntária à presidente da COP-16. Objetivo é criar uma agenda de trabalho conjunto
Liana Melo*
O setor de eletrônicos e de tecnologia da informação e comunicação (TIC), anunciou ontem em Cancún, dois dias antes do término da Conferência do Clima (COP-16) da ONU, que a indústria de telecom está disposta a contribuir com o esforço global de redução das emissões de gases de efeito estufa. A meta voluntária autodeclarada é de uma redução de 15% em 2020. O documento contendo as sugestões e as reivindicações do setor foi entregue à presidente da COP-16, a embaixadora Patricia Espinosa, pelo presidente mundial da Ericsson, Hans Vestberg.
A Ericsson e a Deutsche Telekom lideram esse movimento do setor de telecomunicações, que, por faturar algo em torno de US$ 1 trilhão por ano em pouco mais de 20 países, quer ter voz ativa junto aos governos para definir as políticas públicas de enfrentamento da mudança do clima. Patrícia se comprometeu a repassar o documento às delegações dos 184 países presentes no encontro da ONU.
Além de Ericsson e Deutsche Telekom, entre as empresas que assinaram o documento estão Vivo, Nokia, TIM, Acer, AT&T, Microsoft, Intel, Cisco e Bell. O objetivo é criar uma agenda de trabalho conjunto, fazendo assim uma espécie de parceria público-privado para definir uma estratégia global de enfrentamento. O documento sugere, inclusive, que seja feita uma reunião do setor em 2011 na África do Sul, país anfitrião da COP-17.
- Estamos ansiosos para nos juntarmos a esse grupo de trabalho público-privado, e usaremos os resultados como fonte de informação para o trabalho até a COP-17 - disse Edna Molewa, ministra da Água e do Meio Ambiente da África do Sul.
Os parâmetros das metas voluntárias do setor começaram a ser definidos logo após a COP-15, que ocorreu em Copenhague, no fim do ano passado. Há menos de um mês, a decisão pela redução de emissões com a qual o setor se compromete para os próximos dez anos foi tomada em Guadalajara, no México. Por isso, o compromisso é conhecido como Documento de Guadalajara.
- Isso é bom para o ambiente, bem como para a economia - diagnosticou Vestberg, comentando que foi "um passo histórico", dado que a infraestrutura de banda larga pode dar enormes contribuições ao redor do mundo para acelerar as soluções para uma economia de baixo carbono. - Mas precisamos de apoio político.
'Mudança estrutural do processo de produção'
Já é consenso que a banda larga pode desempenhar um papel-chave no aprimoramento da qualidade de vida, além de possibilitar diversas tarefas on-line sem deslocamento, reduzindo, assim, as emissões de CO2.
- Se queremos trabalhar em rumo a um acordo global eficaz para a proteção climática, precisamos considerar as alianças entre o setor público e o setor privado. As soluções de TIC possibilitam novos modelos de negócio, criando assim novas oportunidades. As alianças com todos os parceiros, sejam instituições públicas ou empresas, são hoje um assunto urgente - disse René Obermann, presidente-executivo da Deutsche Telekom.
Cidades inteligentes, como é o caso de Curitiba, foram exemplos recorrentes em um dos eventos paralelos à COP-16, o Green Solutions, que terminou ontem. O objetivo do encontro, promovido pela ProMéxico, a agência promoção de exportações e investimentos, era atrair para o país em torno de US$ 500 milhões em tecnologias limpas.
- Essa iniciativa é um reconhecimento de que o setor pode contribuir para uma mudança estrutural do processo de produção, reduzindo suas emissões e mitigando os efeitos da mudança climática - avaliou o embaixador mexicano Luis Afonso de Alba. - Essas empresas podem impulsionar as inovações e criar empregos numa economia de baixo carbono.
Coube à Iniciativa Global de Sustentabilidade Eletrônica (GeSI) a coordenação final do Documento de Guadalajara. Hoje, o setor TIC é responsável por 2% das emissões globais de CO2, e a telecomunicação móvel representa 0,2% desse índice. O volume de recursos que o setor investirá para cumprir as metas voluntárias não foi divulgado.
Relatório do Greenpeace, divulgado em novembro, aponta que Ericsson e Nokia são as marcas com mais produtos livres de PVC e Retardantes de Chama Brominados (BFR, na sigla em inglês), substância usada para inibir a combustão e altamente tóxica. O Brasil, segundo o Programa da ONU para o Meio Ambiente, é o campeão de lixo eletrônico entre os emergentes.
(*) A repórter viajou a convite da Ericsson
O Globo, 09/12/2010, Economia, p. 36
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