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Tecnologia permite reciclagem de materiais difíceis

OESP, Vida, p. A18
16 de Jun de 2010

Tecnologia permite reciclagem de materiais 'difíceis'
Resíduos menos coletados, como embalagens de salgadinhos e de leite longa-vida, podem virar matéria-prima novamente

Andrea Vialli

O que fazer com embalagens de salgadinhos, bandejas de isopor, embalagens longa-vida? Embora cada vez mais presentes no dia a dia, esses resíduos são considerados difíceis de reciclar, pois têm menos valor comercial que outros materiais, como latas de alumínio, papelão e garrafas PET. Mas o cenário começa a mudar: já existem tecnologias no Brasil para transformar o que era lixo em novas matérias-primas.
Um exemplo são as embalagens feitas com o plástico tipo Bopp (sigla para película de polipropileno biorientado). O material, presente em embalagens de alimentos - como salgadinhos, biscoitos, café, sopas instantâneas -, praticamente não é recolhido por cooperativas de catadores. Mas a empresa americana TerraCycle, que no início do ano iniciou atividades no Brasil, especializou-se em fazer com que o material volte à indústria.
"O Bopp é um plástico e por isso pode ser reciclado. Nosso trabalho é desenvolver produtos que possam ser fabricados com o material", diz Guilherme Brammer, presidente da TerraCycle. Entre os produtos que podem ser feitos com as embalagens de salgadinhos estão mochilas, embalagens de cosméticos e até autopeças, como para-choques.
A reciclagem do Bopp está ajudando a resolver um problema da PepsiCo, fabricante dos salgadinhos Elma Chips. A empresa acabou de colocar no mercado os primeiros displays - espécie de prateleira que expõe os produtos nos pontos de venda - feitos 100% com embalagens de salgadinhos recicladas. "O que era descartado virou matéria-prima de novo, fechando o ciclo", diz Olivier Weber, presidente de Alimentos da PepsiCo.
Segundo ele, trata-se do primeiro display feito com material reciclado das próprias embalagens da empresa. Até o fim do ano, a meta é retirar 13,5 milhões de embalagens do ambiente, em todo o Brasil - cada display consome 675 embalagens em sua fabricação. A empresa quer exportar a tecnologia brasileira para o resto do mundo.
Desafio. As embalagens longa-vida produzidas pela empresa sueca Tetra Pak também já estiveram na mira de ambientalistas. As caixinhas eram consideradas difíceis de reciclar, por serem formadas por um amontoado de camadas: seis no total, sendo quatro de plástico, uma de papelão e outra de alumínio. "O maior desafio foi desenvolver uma tecnologia que permitisse a separação de todas as camadas. Hoje, isso é possível", diz Fernando Von Zuben, diretor de meio ambiente da Tetra Pak.
Segundo ele, existem várias tecnologias que permitem reciclar o material. Uma delas, realizada em uma usina em Piracicaba (SP), separa todas as camadas, e os materiais retornam às respectivas indústrias. Outra, semelhante a um grande liquidificador, separa o papelão, mas o alumínio e o plástico permanecem unidos, o que forma um aglomerado ideal para fazer produtos como telhas, compensados, móveis, lixeiras, canetas e objetos de decoração.
O desenvolvimento dessas tecnologias já permite que 25% das embalagens Tetra Pak consumidas no Brasil sejam recicladas. Mas ainda é pouco. Telhas e compensados feitos com o material tiveram grande aceitação na construção civil, e hoje falta material. "Existem mais de 30 indústrias que usam essas embalagens recicladas como matéria-prima. É preciso aumentar a coleta seletiva."

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100616/not_imp567251,0.php

Santos contrata garis para coletar óleo de cozinha nas casas

Rejane Lima
Santos

Pioneira na coleta de lixo reciclável, Santos rompeu a barreira do lixo seco (vidro, plástico, papel e metal), que recolhe desde 1991, e implantou a coleta do óleo de cozinha de porta em porta. Apelidado de Gari do Óleo, o projeto do Instituto Biosantos coletou cerca de 8 mil litros de nos primeiros sete dias.
"Realizamos a coleta em 1.375 edifícios e 326 grandes estabelecimentos comerciais e observamos que a população é bem mais relutante em destinar o óleo à reciclagem quando precisa transportá-lo", disse o presidente do Biosantos, Roberto Coutinho. Após constatar essa dificuldade, o instituto idealizou o Gari do Óleo. "Empregamos mão de obra de baixa renda num projeto que agrega alfabetização."
Dos primeiros 26 garis contratados, 15 são analfabetos. O grupo trabalha em cooperativa durante sete horas diárias e tem aulas duas vezes por semana. Além de R$ 350, cada gari receberá R$ 0,25 por litro de óleo coletado. A Baixada Santista produz 850 mil litros de óleo por mês e apenas 50 mil litros são reaproveitados.
Desentupimento. No bairro de Cerqueira César, em São Paulo, 100% dos condomínios aderiram a um programam de coleta de óleo da Sabesp com ONGs - com isso, os serviços de desobstrução na rede de esgoto são 26% menores que em outros bairros.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100616/not_imp567253,0.php

Desprezado por catadores, isopor é 100% reciclável

O isopor - nome comercial de um plástico chamado de poliestireno expandido - é 100% reciclável, mas, por ser muito leve e volumoso, não é valorizado pelas cooperativas de catadores. O quilo do isopor não chega a R$ 0,50, o que inibe o interesse pelo material. Ainda assim, hoje o País recicla 8% de todo o isopor produzido, graças a parcerias entre o varejo, que utiliza grandes volumes do material, recicladores e indústria.
"Para que esse número aumente, é importante que as pessoas saibam que o isopor é plástico e que tem destino certo no mercado de reciclagem brasileiro", afirma Francisco de Assis Esmeraldo, presidente da Plastivida, entidade ligado à indústria dos plásticos. A reciclagem permite fazer com que o material volte à indústria como matéria-prima. É possível fabricar também molduras e rodapés.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100616/not_imp567252,0.php

OESP, 16/06/2010, Vida, p. A18

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