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Técnica permite criação de galinhas transgênicas

OESP, Vida, p. A15
14 de Jun de 2006

Técnica permite criação de galinhas transgênicas
Metodologia foi desenvolvida por empresa americana, a partir da modificação genética de células-tronco

Herton Escobar

Pesquisadores de uma empresa da Califórnia anunciaram o desenvolvimento de uma tecnologia que poderá permitir a produção de galinhas transgênicas em larga escala. Em um estudo publicado na última edição da revista Nature, eles reportam o estabelecimento das primeiras linhagens de células-tronco germinativas - não só de aves, mas de qualquer espécie -, que podem ser transformadas in vitro para a produção de animais geneticamente modificados.

As galinhas transgênicas poderiam servir a diversas utilidades, dependendo do gene que for introduzido em seu DNA. A proposta da empresa é transformar as aves em "biofábricas" de moléculas terapêuticas, que poderiam ser produzidas nos ovos e depois purificadas para uso medicinal - a um custo muito menor da produção em laboratório ou da extração de outros animais. Por exemplo, a produção de anticorpos para o tratamento do câncer e outras doenças.

Assim como é feito com plantas, a técnica também poderia ser usada para incrementar características genéticas de interesse produtivo, como crescimento e resistência a doenças.

Para testar a tecnologia, os cientistas utilizaram o gene GFP, responsável pela síntese de uma proteína verde fluorescente das águas-vivas - o que facilita tremendamente a verificação dos resultados. O primeiro grande desafio foi estabelecer as linhagens de células-tronco germinativas, retiradas de embriões de galinha com cerca de 2 dias de desenvolvimento.

Essas são as células-tronco primordiais que vão se transformar especificamente em óvulos e espermatozóides - diferente das células-tronco embrionárias em geral, que dão origem a todos os outros tecidos do organismo.

Pela primeira vez, os cientistas conseguiram manter essas células em cultura sem que elas se diferenciassem. A partir daí, introduziram o gene GFP em seu DNA e as colocaram de volta dentro de embriões. O resultado foram galinhas geneticamente modificadas, mas apenas em suas células germinativas. Já os filhotes dessas aves, concebidos com os gametas modificados, nasceram completamente transgênicos, expressando a proteína fluorescente em todos os seus tecidos.

A empresa, Origen Therapeutics, já produziu dezenas de galinhas GFP, segundo o vice-presidente de Pesquisa, Robert Etches. "Uma vez que funcionou com o GFP, não há por que não funcionar com outros genes. É só substituir um pelo outro", disse ele ao Estado. No ano passado, a empresa já havia demonstrado que era possível produzir anticorpos humanos na clara do ovo de galinhas. "Temos várias moléculas com as quais podemos trabalhar", disse.

A produção de animais transgênicos é uma das grandes promessas da biotecnologia, tanto para fins agronômicos quanto terapêuticos. Além de galinhas, pesquisadores em vários países estão trabalhando com outros animais, principalmente bovinos e caprinos.

OESP, 14/06/2006, Vida, p. A15

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