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Autor: Jose Hong
27 de Jun de 2014
A fragmentação de habitat e a caça são dois problemas distintos e críticos que as florestas enfrentam hoje e que exigem contramedidas próprias. Contudo, muitas pesquisas optam por unir os dois, levando possivelmente a uma gestão ecossistêmica ineficiente.
De acordo com um novo estudo recentemente publicado no periódico de acesso livre do mongabay.com Tropical Conservation Science, a junção dos dois fatores pode contradizer os efeitos isolados da caça e da fragmentação, revelando uma lacuna de pesquisa e manejo que precisa ser urgentemente preenchida.
A pesquisa, de autoria de Andrew Kosydar, Loveday Conquest e Joshua Tewksbury, da Universidade de Washington, e Damián Rumiz, do Museu de História Natural Noel Kempff Mercado, estudou diversos lugares dentro de florestas contíguas e fragmentadas de Chiquitano, no sudeste da Bolívia. Para registrar os animais, eles usaram 'track-plots' e armadilhas fotográficas.
Os pequenos estão ganhando a corrida...em parte
Realizado ao longo de dois anos, o estudo visava descobrir como a caça e a fragmentação afetam independentemente a abundância de mamíferos e a riqueza de espécies, bem como a forma com que os animais foram afetados diferentemente com base no tamanho de seus corpos.
Como esperado, os pesquisadores descobriram que a caça teve impactos negativos na abundância de animais e riqueza de espécies, independentemente de a floresta ser contígua ou fragmentada.
Contudo, eles descobriram que a fragmentação em paisagens com caça teve efeitos mistos. Não apenas impactou populações de diferentes animais de formas diversas, mas reduziu a abundância de algumas espécies enquanto aumentou a abundância de outras.
Os pesquisadores descobriram que essa fragmentação teve efeitos diferentes em mamíferos dependendo de sua massa corpórea. Animais com menos de seis quilogramas, tais como tatus (Dasypus novemcinctus) e gatos-maracajá (Leopardus wiedii), se mostraram mais abundantes nessas florestas do que nas florestas controle. Por outro lado, animais de mais de seis quilogramas, tais como jaguatiricas (Leopardus pardalis), e cachorros-do-mato (Cerdocyon thous), foram registrados em números menores.
O estudo argumenta que isso pode ocorrer devido a uma combinação do declínio de predadores com uma mudança na dieta. Como são encontradas colheitas no meio de florestas fragmentadas, os animais menores, que compreendem herbívoros e onívoros, podem ter se adaptado para comê-las. Além disso, a diminuição dos predadores maiores pode ter permitido um crescimento na população dos animais menores.
Entretanto, os pesquisadores advertem que suas descobertas podem não mostrar todo o quadro. Por exemplo, eles foram incapazes de estudar os efeitos da fragmentação em si, já que locais fragmentados sem pressões de caça simplesmente não existem.
Eles também observaram que os efeitos da fragmentação podem levar mais de duas décadas para se tornarem visíveis, muito mais tempo do que o período de dois anos do estudo. Além disso, não foi registrada relação significativa entre o tamanho do animal e a pressão de caça.
Embora haja a tentação de concluir que as florestas fragmentadas podem ser usadas para aumentar a abundância de espécies, especialmente se a espécie de um animal menor precisar de proteção, os pesquisadores disseram que as condições das paisagens fragmentadas e com caça que eles estudaram (ou seja, uma diminuição nos predadores grandes e a presença de colheitas) podem não ser facilmente reproduzidas em outros lugares. Tal estratégia pode impactar negativamente outras espécies que também precisem de proteção, assim como a saúde do ecossistema como um todo.
Em vez disso, eles esperam que seu trabalho leve outros pesquisadores e gestores de habitat a reavaliarem os métodos que usam quando estudarem e gerirem ecossistemas, e que incluam a caça como um fator independente do declínio de populações e espécies.
"Já que a proteção de espécies ameaçadas pela caça e fragmentação implica em práticas de manejo muito diferentes, não considerar a caça pode levar a conclusões falsas e a recomendações de gestão ineficientes", escreveram os autores.
http://www.institutocarbonobrasil.org.br/ecossistemas1/noticia=737494
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