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Sustentabilidade: mais do que moda, modo de ser e agir

CB, Opinião, p. 27
20 de Set de 2008

Sustentabilidade: mais do que moda, modo de ser e agir

Flávio Resende
Jornalista

É difícil imaginar como, durante tanto tempo, alguns conceitos e valores seguiram na contramão do que hoje entendemos por sustentabilidade.
Nas mais simples atitudes - como jogar o lixo na lixeira, de preferência separando o que é orgânico, reciclável ou não - até a implementação de políticas de responsabilidade social em grandes, médias e, mais recentemente, pequenas corporações, sem contar o surgimento de instituições voltadas exclusivamente para essa questão, como o Instituto Ethos, a consciência socioambiental preenche, a cada dia, mais espaço na sociedade organizada.
No campo empresarial, adotar uma gestão transparente; estabelecer um vínculo de respeito e ética com todos os stakeholders; produzir de forma a garantir a sustentabilidade não só da empresa como de todo planeta; e atuar de maneira socialmente responsável são mais do que uma tendência. Diria que se trata de modelo moderno de gestão empresarial, dissociado, conceitualmente, do aspecto filantrópico, permitindo ao empresário descobrir que ser socialmente responsável também garante sustentabilidade ao negócio.
Por definição, sustentabilidade é atender às necessidades do presente sem comprometer as possibilidades de as futuras gerações atenderem às próprias necessidades. Para ser sustentável, qualquer empreendimento humano deve ser ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente aceito. Mas esses conceitos, que parecem óbvios, simples sinais de bom senso, infelizmente ainda estão longe de constituírem prática cotidiana de muitas pessoas, grupos, empresas e governos.
Caminhamos numa direção em que o público terá, em pouco tempo, leitura crítica suficiente para discernir o que constitui verdadeiramente uma cultura sustentável empresarial. Muitas organizações acreditam que usar papel reciclado, por exemplo, constrói uma imagem positiva e aliada à questão socioambiental. Mas, para o público, vale muito mais a postura dessa mesma empresa frente a seus clientes, colaboradores e fornecedores, do que ações isoladas, muitas das quais oportunistas e visivelmente artificiais.
Para agir de forma sustentável, devemos ter visão de longo prazo, consciência de que nossas relações sociais e nosso estilo de vida impactam diretamente a realidade à nossa volta - e que devemos ter solidariedade com nossos descendentes.
Para que isso aconteça de fato, é preciso entender a construção da sustentabilidade como desafio de muitas faces. Só assim conseguiremos encontrar as múltiplas respostas que o problema impõe.
Sustentabilidade é tema em construção.
Há muito o que aprender a respeito. Mas já sabemos que tem a ver com atos de nosso cotidiano. Desde e de cada um de nós até a forma como lidamos ou deixamos de lidar com o que produzimos. Tem a ver com a maneira como usamos os recursos disponíveis. Mais do que modismo, a sustentabilidade deve representar, conscientemente, para pessoas e organizações em geral, perspectiva de futuro melhor para todos.

CB, 20/09/2008, Opinião, p. 27

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