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Supermercados vetam carne do Pará

OESP, Economia, p. B3
13 de Jun de 2009

Supermercados vetam carne do Pará
Decisão foi motivada por ação do Ministério Público contra desmatamento

Roberto Almeida

Pão de Açúcar, Carrefour e Wal-Mart decidiram suspender as compras de 11 frigoríficos incluídos em uma "lista suja" por fornecerem carne de gado criado em área de desmatamento. A decisão decorre de uma ação do Ministério Público Federal (MPF) do Pará com o objetivo de desmanchar a cadeia de produção de carne "que lucra com a devastação na Amazônia".

O movimento é resultado de denúncia do Greenpeace, feita no dia 1o de junho, que acusou o governo de financiar os frigoríficos da "lista suja" - entre eles o Bertin, um dos maiores do País - por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, já entrou em contato com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, para que reavalie a concessão de crédito aos frigoríficos. O Greenpeace também já pediu ao banco explicações sobre os financiamentos, que podem chegar a R$ 10 bilhões. Durante a semana, foi realizada uma reunião para discutir a relação dos frigoríficos com o desmatamento, sobretudo na Amazônia.

Em seu site, o Greenpeace classifica a iniciativa dos supermercados de "primeira vitória" e aguarda a adesão de mais 72 empresas revendedoras de derivados do boi. O Frigorífico Minerva informou que também decidiu suspender as compras de boi e carne de fazendas do Pará e da Amazônia

Enquanto isso, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) avisou que exigirá dos frigoríficos Guias de Trânsito Animal anexadas às Notas Fiscais para análise. Solicitará, ainda, uma auditoria independente para assegurar que a procedência da carne não é de área de devastação.

O MPF aguarda decisão da Justiça sobre outras 21 ações que promoveu contra os fazendeiros ilegais, pedindo o pagamento de R$ 2,1 bilhões de indenização "pelos danos ambientais à sociedade brasileira".

A procuradoria trabalha para "conscientizar a população dos danos da devastação". Ela pede que o consumidor cobre no ato da compra a origem da carne. "Não compre produtos que incentivam o desmatamento da Amazônia", alerta.

O Frigorífico Bertin informou que faz a verificação diária das áreas embargadas pelo Ibama nas listagens oficialmente divulgadas. Informou também que paralisou desde o dia 6 de junho todas as aquisições de bovinos, até que os fatos sejam esclarecidos.

A decisão não deverá afetar o mercado no Sudeste, já que a carne da Amazônia é pouco consumida na região.

OESP, 13/06/2009, Economia, p. B3

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