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23 de Ago de 2010
INDÍGENAS - Pequenas tribos tem destino incerto com relação à língua falada hoje
Impedir que uma linguagem desapareça, assim deixando um vácuo na compreensão global que se pode ter de uma cultura. O tema foi o principal entre os abordados pela palestra "Relances de Outros Mundos: A riqueza ameaçada das línguas indígenas", ministrada pela doutora em Arqueologia e pesquisadora mundialmente conhecida pela contribuição à linguística teórica Marianne Mithun. Ela mostrou na tarde de sexta-feira, 20, diversos exemplos de significação das palavras no cotidiano dos índios, como nasce a gramática e a importância de conhecer através das expressões orais traços do comportamento de um povo.
A pesquisadora falou sobre os dados culturais que se perdem com o sumiço de um idioma ou dialeto. "Quando uma língua desaparece, se perde também a maneira de um povo enxergar o mundo e uma percepção única dele", avaliou. "A língua é um centro intelectual da cultura. Se ela for eliminada, não é possível identificar a forma de interação de várias gerações de falantes", completou o raciocínio, Mithun. Ela se demonstrou preocupada também com o futuro das línguas faladas por pequenas comunidades. "As próximas gerações da Yup'ik, por exemplo, são uma incógnita, pois as crianças falam muito bem o inglês e não sabemos como elas vão lidar com a responsabilidade de dar continuidade à linguagem do povo o qual pertencem" ela comentou, a respeito dos esquimós do Alaska.
Nas comunidades pesquisadas por Marianne, foi destacado pela estudiosa que as forças das palavras são mais intensas. "Como são pequenos grupos de pessoas, as palavras tendem a ser muito específicas", diz, ao utilizar exemplos de termos particulares criados por tribos indígenas e esquimós, como "não suba na árvore", "não nade muito", ou "bater no prego e errar" que na nossa linguagem seriam explicitadas uma sentença e não em uma única palavra. "A gramática vem da sistematização, representa os sentimentos que as pessoas de uma cultura decidiram expressar ao longo dos anos e por isso tem muito a dizer sobre o comportamento humano", explica.
Os motivos para o sumiço de determinadas línguas no continente latino-americano, de acordo com a antropóloga, vão das doenças que dizimaram as populações indígenas antes que elas pudessem ser mapeadas até o estilo de educação imposta pelos colonizadores. "Os índios eram convencidos que a cultura deles era inferior; então eles se desprendiam dos valores tradicionais. Hoje, felizmente, a importância da preservação é muito mais difundida entre as comunidades de falantes", ressaltou a pesquisadora no encontro realizado no Instituto de Letras e Comunicação da Universidade Federal do Pará (UFPA).
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