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Suez vê incertezas no edital de Belo Monte

OESP, Economia, p. B5
24 de Mar de 2010

Suez vê incertezas no edital de Belo Monte
Presidente do grupo no Brasil, Maurício Bahr, diz que está estudando o edital e que ainda não há acordo com outro grupo para entrar no leilão

Nicola Pamplona e Kelly

Encarado pelo mercado como o fiel da balança no leilão da hidrelétrica de Belo Monte, o grupo franco-belga Suez diz que ainda não bateu o martelo sobre sua participação na concorrência. O presidente da Suez no Brasil, Maurício Bahr, afirmou que o grupo está "debruçado" sobre as informações já liberadas pelo governo, mas ainda vê grandes incertezas no projeto. Na visão do governo, a participação da Suez poderia garantir maior competição ao leilão.

"Estamos estudando o edital, as questões ambientais... Estamos fazendo o dever de casa", disse Bahr, em conversa com o Estado após cerimônia de lançamento da nova marca da Eletrobrás, na noite de anteontem. Embora haja sinais de que a empresa tenha sido procurada pelos consórcios formados para a disputa, Bahr reforçou que ainda não há acordo com qualquer grupo.
Segundo ele, o principal entrave à participação na obra está nas incertezas geradas pela construção dos canais artificiais no caminho para a casa de força. Bahr preferiu não detalhar o assunto, mas o projeto dos canais já foi criticado por outros especialistas, diante da magnitude da obra e de incertezas geológicas. Cada canal terá 35 quilômetros de extensão, com a escavação de 220 milhões de metros cúbicos de terra e rochas.
A atuação da Suez no caso vem sendo acompanhada com lupa pelo governo, que gostaria de ter um terceiro consórcio na disputa pela usina, orçada em R$ 19 bilhões. Até agora, dois grupos manifestaram interesse: o primeiro é formado, por enquanto, pelas construtoras Odebrecht e Camargo Correa; o segundo, por Andrade Gutierrez, Vale, Neoenergia, e Votorantim. Outras companhias, como Braskem e Alcoa, disseram avaliar o projeto.
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse anteontem que a estatal está preparada para apoiar um terceiro consórcio. "Até a madrugada do dia 20 (de abril) serão aceitas propostas", afirmou. A Eletrobrás previa lançar hoje uma chamada pública para parcerias no leilão, na qual oferecerá ao mercado sociedade com suas quatro principais empresas.
Um dos principais geradores de energia do mundo, a Suez tem hoje participação em dois grandes projetos hidrelétricos no País: Estreito, no Tocantins, e Jirau, em Rondônia. "Ambas estão com orçamento estourado", comenta o coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ, Nivalde de Castro, para quem a empresa terá dificuldades de convencer a matriz a entrar no projeto. / Colaborou Leonardo Goy

OESP, 24/03/2010, Economia, p. B5

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