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SP vai destruir fábrica e criar represa

OESP, Metrópole, p. C1
01 de Mar de 2008

SP vai destruir fábrica e criar represa

Eduardo Reina

Até agosto, a Grande São Paulo terá uma nova represa, que produzirá mais 1,7 metro cúbico de água por segundo - o suficiente para abastecer sozinha 550 mil pessoas diariamente. A Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) vai criar um braço na Represa Taiaçubepa, no limite de Suzano com Mogi das Cruzes, que ampliará a capacidade de armazenamento do Sistema Alto Tietê. Esse abastece 15% da região metropolitana: 3,1 milhões de pessoas na zona leste da capital e nas cidades de Arujá, Itaquaquecetuba, Poá, Ferraz de Vasconcelos, Suzano, Mauá, Mogi das Cruzes, parte de Guarulhos e de Santo André.

Cerca de 540 famílias que moram no local serão removidas, mas só 280 delas terão direito a apartamentos populares. Com a ampliação, o manancial terá 19,3 quilômetros quadrados, área maior que São Caetano, no ABC, ampliando a capacidade do sistema para 879 milhões de metros cúbicos.

Para que o reservatório da barragem do Rio Taiaçupeba funcione plenamente, foi preciso concluir uma disputa judicial com a Manikraft Guaianazes Indústria de Celulose e Papel, dona da fábrica, que completará 30 anos. A empresa protela a saída do local desde outubro de 1978. Segundo o Estado, a companhia já recebeu R$ 150 milhões em indenização pela desapropriação.

Em 11 de fevereiro, o juiz Fernando Bartoletti, de Suzano, deu ganho de causa ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) e a empresa terá de deixar o terreno. Desde quinta-feira da semana passada, os funcionários da Sabesp já controlam o acesso de pessoas na portaria da Manikraft, numa espécie de "intervenção". A empresa, segundo o assessor de diretoria José Francisco, pretende recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Mas só uma liminar impedirá a inundação.

A empresa ocupa uma área de 90,7 mil metros quadrados e utiliza as instalações para fabricação de embalagens de papel toalha. A notificação judicial foi recebida no dia 20. Pelo cronograma aprovado pela Justiça, a Manikraft tem até o fim de maio para desmontar máquinas e equipamentos. Além da fábrica, o lugar também é ocupado por um ramal ferroviário de carga.

O DAEE quer iniciar a demolição das instalações em junho e concluir a remoção do entulho até setembro, quando encherá a represa. O governo corre para concluir a desapropriação. A saída da Manikraft facilitará o prosseguimento da primeira parceria público-privada (PPP) voltada para o setor de saneamento básico. A PPP Alto Tietê representa um investimento de R$ 1,3 bilhão, num contrato de 15 anos.

A abertura de envelopes com propostas técnicas será realizada em breve. Hoje são produzidos 10 metros cúbicos de água por segundo nesse sistema. Com a nova represa e os investimentos da PPP, a capacidade do Alto Tietê passará para 15 metros cúbicos por segundo.

OESP, 01/03/2008, Metrópole, p. C1

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