OESP, Metrópole, p. C9
23 de Mar de 2012
SP terá de buscar água a 74 km de distância
Sistema de R$ 1 bi que entrará em operação até 2018 vai ligar capital a Juquitiba
ARTUR RODRIGUES, RODRIGO BURGARELLI
A escassez hídrica na Região Metropolitana vai obrigar o governo do Estado de São Paulo a criar um sistema de R$ 1 bilhão para buscar água a mais de 74 km de distância da capital e bombeá-la à altura de 500 metros - o equivalente a dez prédios de 17 andares. O Sistema de Produção São Lourenço deve estar em operação até 2018, mas mesmo assim não será suficiente para atender o crescimento da demanda nos próximos anos.
O sinal verde para o plano deverá ser dado na próxima quinta-feira dia 29, quando está prevista a votação do projeto no Conselho Gestor do Programa Estadual das Parcerias Público-Privadas (PPPs). Após a liberação, a Secretaria de Estado de Saneamento e Recursos Hídricos poderá lançar o edital para as obras, que devem durar de cinco a seis anos após a assinatura do contrato. A operação do sistema deverá custar R$ 500 milhões por ano.
Para se ter uma ideia do tamanho do esforço de subir a água por 500 metros de altura, o Sistema Cantareira, o maior do Estado, tem uma diferença de nível de 100 metros. Mas não havia outra opção, segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a não ser investir mais para trazer a água de mais longe. "Ou você tem água ou pede para a população não crescer mais, para as indústrias não virem mais para cá", afirma o diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato.
O sistema vai tirar água da Represa Cachoeira do França, em Juquitiba, na bacia do Rio Ribeira, e alimentar bairros da zona oeste da capital (como Perdizes e Lapa) e municípios do oeste da Grande São Paulo.
A distância e o fato de Juquitiba estar em nível mais baixo do que o destino da água podem elevar o custo de transporte. "A captação está abaixo da Região Metropolitana. Só em termos de consumo de energia para bombear a água, pode ter um valor superior ao custo de tratamento", afirma o professor de engenharia José Carlos Mierzwa, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).
Déficit. Mesmo com o novo sistema, o problema da falta de água na Região Metropolitana, uma das regiões com maior escassez hídrica do País, não será totalmente resolvido. O Sistema São Lourenço vai adicionar 4,7 metros cúbicos por segundo à capacidade de abastecimento na região, o que é suficiente para a demanda de 1,5 milhão de habitantes. Hoje, funcionam oito sistemas diferentes, que geram uma vazão média total de 67,8 m³ por segundo.
Até 2035, porém, o consumo na Grande São Paulo deve subir cerca de 40%, o que significa que a oferta de vazão precisaria subir ao menos 30 m³ por segundo. A Sabesp quer investir na diminuição de perdas com vazamentos e ligações irregulares para ajudar a resolver parcialmente o problema. "Temos de começar a agir agora para evitar problemas no futuro", afirmou o secretário de Recursos Hídricos, Edson Giriboni. A Região Metropolitana de São Paulo ganha 250 mil habitantes por ano - como se fosse uma nova cidade de Barueri a cada 12 meses.
Para o ambientalista Samuel Barreto, da ONG WWF-Brasil, outro foco deveria ser adotado. "O Estado tinha de apresentar a sua meta de controle de perdas e um plano de economia de água para os setores que mais consomem. É sempre a lógica da obra, sem a perspectiva de melhoria na manutenção e no gasto."
Prefeitura quer receber pela água 'exportada'
O Sistema de Produção São Lourenço vai captar água na Represa Cachoeira do França, um dos principais pontos turísticos e ambientais da região de Juquitiba, onde há dezenas de pousadas e casas de veraneio. Para a prefeita da cidade, Cida Maschio (PDT), a preocupação do município vai além da questão ambiental. "Precisamos ser ressarcidos por essa água", diz. Segundo ela, por causa das restrições ambientais da cidade, empresas não conseguem se instalar na área. "A miséria perdura aqui por causa das leis ambientais", afirma a prefeita.
O empreendimento ainda não tem licença ambiental, que só deverá ser concedida após a contratação da obra. A Sabesp tranquiliza a prefeita, afirmando que, nesses casos, é comum que haja repasse de dinheiro para os municípios. / A.R. e R.B.
OESP, 23/03/2012, Metrópole, p. C9
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