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SP tem mais carro, mas aprova ciclovia e faixa de ônibus

OESP, Metrópole, p. A20
19 de Set de 2014

SP tem mais carro, mas aprova ciclovia e faixa de ônibus
Pesquisa Ibope, divulgada ontem pela Rede Nossa São Paulo, mostra que subiu 10 pontos porcentuais o número de pessoas com veículo em casa - 62% agora ante 52% no ano passado; índice de aceitação das faixas exclusivas de coletivos é de 90% dos entrevistados

CAIO DO VALLE

O número de paulistanos que têm automóvel em casa subiu dez pontos porcentuais entre o ano passado e este ano. Pesquisa do Ibope, encomendada pela Rede Nossa São Paulo e divulgada ontem, primeiro dia da Semana da Mobilidade, mostra que 62% dos entrevistados disseram ter um veículo em casa - em 2013, eram 52%. O levantamento revela também que 90% dos pesquisados são favoráveis às faixas exclusivas de ônibus e 88% aprovam as ciclovias.
Apesar das políticas públicas implementadas com o objetivo de ampliar o uso dos ônibus e de sua aprovação na cidade, a migração para os carros continua forte. O estudo mostra que passou de 27% para 38% os entrevistados que usam o carro diariamente ou "quase todos os dias".
Para 70% dos pesquisados, é "ruim" ou "péssimo" o trânsito na capital, índice que permanece praticamente estável desde 2008. Enquanto piora para carros, o trânsito melhorou para ônibus na cidade. Na semana passada, a Prefeitura divulgou um levantamento que indica ganho de 68,7% na velocidade dos ônibus nos 59,3 quilômetros de faixas exclusivas implementadas neste ano. A variação foi de 12,4 km/h para 20,8 km/h. Na atual gestão, foram implementadas 357 km de faixas. O prefeito Fernando Haddad (PT) afirmou ontem que é preciso ampliar as formas mais coerentes de uso dos automóveis. "O trabalhador americano e o europeu per capita têm mais carro do que o brasileiro. Mas usam-no mais racionalmente. Uma coisa é a propriedade, e outra é o uso racional."

Tempo.Entre outros aspectos, o estudo revela que o tempo gasto no trânsito por quem usa carro é maior do que o de passageiros de ônibus. São 2h53min por dia, em média, incluídos todos os deslocamentos feitos pela pessoa. Por sua vez, cada usuário dos coletivos gasta cerca de 2h46min diários nas viagens.
Dados do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) mostram que, até agosto, a capital ganhou 127 mil carros, ou seja, uma média de 524 novos automóveis entrando em circulação a cada dia. O município tinha no mês passado 5,5 milhões de carros.
O arquiteto Flamínio Fichmann, especializado em Transportes, defende a cobrança pela utilização do carro, como o pedágio urbano. "Não tem outra forma. Ou o governo passa a restringir cada vez, ou faz a cobrança pelo uso. Quem usa mais carro paga mais por isso."
Para o consultor em Trânsito Alexandre zum Winkel, o brasileiro é culturalmente apegado ao automóvel. "Você pode construir a quantidade de metrô e corredor de ônibus que for, o número de carros não vai cair. É um problema cultural. Existem alguns produtos materiais, entre eles o carro, que são prova de que o brasileiro cresceu na vida. É uma forma de status." O levantamento foi realizado entre 29 de agosto e 3 de setembro, com 700 pessoas. A margem de erro de quatro pontos para mais ou para menos.

Capital sem coletivos teria 42% mais filas

Em março, compilei uma série de dados do trânsito paulistano para a Rede Nossa São Paulo. Em linhas gerais, o levantamento analisou a situação das vias caso fossem retirados todos os ônibus e caminhões. Ou seja, São Paulo, para o gosto de alguns, seria só de carros e motos.
Todos os antigos passageiros dos outros modais extintos - até dos fretados - passariam a se locomover em carros. Com base nas estatísticas da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) obtidas em 206 pontos de monitoramento das principais vias da capital paulista, constatamos que, no horário de pico da manhã (que vai das 7 às 10 horas), 42% das pessoas usando automóveis ficariam presas no congestionamento.
Elas não conseguiriam sequer avançar para as principais avenidas e ruas da cidade, já saturadas. No pico da tarde (das 17 às 20 horas), o viário principal só conseguiria absorver mais 10% de automóveis, deixando de fora cerca de 40% dos antigos passageiros de ônibus, fretados e caminhões.
Pelo número excessivo de automóveis hoje, o viário de São Paulo já está trabalhando no limite nas seis horas dos picos. É preciso tornar o ônibus e o metrô mais atrativos, rápidos e confortáveis. No transporte coletivo, a velocidade é o primeiro fator de atração, depois a frequência e o conforto.

Horácio Augusto Figueira é consultor em Engenharia de Transporte de Pessoas

64% pedem mais ação de governos

Na pesquisa, 64% disseram que "governos devem dar mais atenção aos transportes públicos". A maioria (58%) quer mais metrô ou trem e 37%, mais corredores de ônibus. Hoje São Paulo tem 75,5 km de metrô e 120 km de corredores. O governo do Estado promete mais 103 km de metrô e a Prefeitura, mais 150 km de corredores.

Três em cada 4 deixariam carro

Dos que usam carro, 71% deixariam o automóvel se houvesse "uma boa alternativa" de transporte - o que corresponde a 26% dos paulistanos, ou 2,3 milhões de pessoas. Para 61% das pessoas ouvidas, os motoristas são desrespeitados na cidade. No caso dos pedestres, o patamar sobe para 72% e para 80% no dos ciclistas e motociclistas.

Para 24% espera no ponto cresceu

Para 24% dos usuários frequentes de ônibus, o tempo de espera no ponto ou terminal aumentou nos últimos 12 meses. Esse número é menor do que os 34% que reclamavam disso em 2013, o que indica uma melhora no serviço de coletivos da cidade. A lotação, por sua vez, aumentou para 39% neste ano, ante 44% ano passado.

1/4 cobra mais linhas de ônibus

Se houvesse mais linhas de ônibus, cobrindo percursos que não existem hoje, 27% dos entrevistados deixariam o carro, migrando para o transporte coletivo, mostra a pesquisa. Para outros 27%, essa transição o correria se o tempo de espera pelos coletivos fosse menor. Já 17% pedem um preço menor da passagem, que hoje custa R$ 3.

36% querem 'mais trilhos'

A expansão do sistema sobre trilhos, que enfrenta atrasos recorrentes em São Paulo, é uma alternativa para que 36% dos paulistanos abandonem os automóveis, informa o Ibope. A melhora das condições físicas dos trens, o que inclui menor lotação nos horários de pico, é indicada por 19% dos entrevistados como um fator de atração.

Mais ciclovias e 1/4 usaria bike

Das pessoas ouvidas pelo instituto de pesquisa, 26% considerariam usar a bicicleta como meio de transporte se houvesse a construção de mais ciclovias na cidade. Outros 26% pedem mais segurança para quem anda sobre duas rodas nas vias paulistanas e 24% informaram que nunca usariam bicicleta em São Paulo.

OESP, 19/09/2014, Metrópole, p. A20

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,sp-tem-mais-carro-mas-aprova-c…

http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,analise-sem-coletivos-42…

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