OESP, Economia, p. B6
28 de Jun de 2007
SP tem ato contra usina nuclear
População protesta contra plano de longo prazo do governo, que prevê termonuclear na região do Baixo Tietê
Agnaldo Brito
Representantes da sociedade civil e de ONGs ambientais, pesquisadores de universidades públicas e privadas, além de moradores da região do Baixo Tietê fizeram ontem em Castilho, a 700 quilômetros de São Paulo, o primeiro ato público contra o plano do governo federal de instalar uma usina nuclear de 1.000 MW na área.
Os dois reatores nucleares em operação no País (além do terceiro previsto) ficam em Angra dos Reis, a mais de mil quilômetros do oeste paulista, onde está Castilho. Mas a região do Baixo Tietê foi incluída como opção para receber um projeto termonuclear pelo Plano Nacional de Energia (PNE), o primeiro estudo de longo prazo sobre as opções de oferta de energia até 2030.
Neste, o País elevará de 1% para 3% a produção de energia elétrica a partir de instalações nucleares. Além dos três empreendimentos em Angra dos Reis, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) considera a construção de quatro novos reatores: o do Baixo Tietê; outro próximo ao reservatório de uma hidrelétrica do Rio Grande, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais; mais um em Foz do Rio Doce, no Espírito Santo; e o último na região Nordeste do País.
São empreendimentos que poderão ser erguidos entre a próxima década e 2030. A despeito disso - e ante a polêmica da alternativa energética -, as reações sociais iniciaram.
Roberto Franco, da Organização Não-Governamental Econg (Associação Regional de Defesa do Meio Ambiente) - da região do Baixo Tietê -, foi o articulador do encontro de ontem, em Castilho. Um abaixo-assinado já foi aberto na região.
'Todos tomaram um susto com a indicação da região como provável sede de uma usina nuclear. Sabemos que isso não é coisa para já, mas não vamos esperar para nos posicionar contra', diz Franco. 'Pelo menos saberão que haverá gente mobilizada aqui contra o projeto. Eles terão de nos receber para discutir isso', diz Franco.
Além do abaixo assinado, o ato público marca a mobilização das lideranças regionais, principalmente os prefeitos. A região tem articulado um plano estratégico de desenvolvimento do ecoturismo, uma alternativa econômica viabilizada pela abundância de água.
TURISMO
Entre a Foz do Tietê e o Rio Paraná, existem três grandes hidrelétricas - Ilha Solteira, Três Irmãos e Porto Primavera, ao sul. Todos foram imensos lagos partilhados por uma crescente infra-estrutura turística. Um santuário ecológico chamado de minipantanal paulista recepciona uma legião de pescadores todos os anos.
'Como fica todo o plano para o ecoturismo com uma usina nuclear na região?', questiona Franco.
OESP, 28/06/2007, Economia, p. B6
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