OESP, Metrópole, p. C6
22 de Mar de 2013
SP promete de novo fazer censo das árvores
Última tentativa só listou 17% das plantas em 3 anos; estudo ajuda a prevenir quedas
Nataly Costa
Após o fracasso de diversos projetos para mapear, identificar e diagnosticar a situação das árvores da cidade de São Paulo, a gestão Fernando Haddad (PT) agora promete fazer um inventário de todas as espécies em vias públicas da capital paulista - o que, portanto, exclui os parques. O mapeamento deve ficar pronto daqui a dois anos.
O levantamento é importante para que as autoridades e a população acompanhem o estado de saúde e o crescimento das árvores, o que permitiria antecipar serviços de poda, por exemplo. Em épocas de chuva, evitaria que tantas árvores doentes caíssem durante o temporal.
O projeto está em fase de elaboração na Secretariade Coordenação das Subprefeituras e será feito em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A Prefeitura também quer o apoio da AES Eletropaulo. "Não sabemos quanto vai custar ainda, mas não será nada muito alto, até porque é algo feito a partir de institutos de pesquisa", explicou o secretário de Coordenação das Subprefeituras, Chico Macena.
Até hoje, não se sabe quantas nem quais árvores existem na capital paulista. A última tentativa de mapeamento foi o programa Identidade Verde, lançado em 2010 pela gestão Gilberto Kassab (PSD). O programa fracassou e o contrato, de R$ 2,1 milhões, foi suspenso pela nova administração neste mês.
O Identidade Verde deveria mapear 94 mil espécies nas 31 subprefeituras. Três anos depois, só mapeou 16 mil árvores, apenas 17% do prometido. "Rompemos o contrato porque a empresa contratada não deu conta do trabalho", disse Macena.
"Existe um número de 2 milhões de árvores, mas é um chute, uma especulação. Ninguém sabe o número oficial", explicou o ambientalista Ricardo Cardim, da Universidade de São Paulo (USP).
Cardim ressalta que essa falta de planejamento é o que provoca as quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia. "Aqui em São Paulo não se faz a poda de condução, aquela que conduz o crescimento da árvore. Só podam quanto a árvore está enorme e adulta. Aí, você faz um corte na árvore que nem sempre cicatriza, ela fica doente e cai dois, três anos depois."
Campinas. O secretário de Coordenação das Subprefeituras disse que, para a nova tentativa de mapear as árvores, vai tomar como exemplo a experiência de Campinas, no interior paulista.
Lá, a Embrapa fez um mapeamento das árvores em 4,8 mil quilômetros de ruas e avenidas, e identificou um déficit de árvores na cidade.
Plantas doentes dos Jardins serão removidas
A Secretaria do Verde e Meio Ambiente vai remover 322 árvores doentes dos Jardins, no quadrilátero delimitado pelas Avenidas 9 de Julho, Brigadeiro Faria Lima e Rebouças e pela Rua Estados Unidos. O número veio de um estudo do IPT feito no ano passado em parceria com a Eletropaulo e a Associação de Moradores dos Jardins (AME Jardins). Em novembro, o documento foi entregue à Prefeitura.
Os técnicos vistoriaram 2,2 mil árvores e detectaram a necessidade de remoção de 322, que estão em "estado de emergência", além do corte de 11 árvores mortas - essas, a Subprefeitura de Pinheiros já removeu.
Após a retirada das árvores doentes, a Prefeitura promete fazer o "plantio compensatório" de 333 mudas nativas no mesmo local ou dentro da região. A Eletropaulo também promete este ano fazer a poda preventiva de 180 mil árvores em contato com a rede elétrica em toda a capital. No ano passado, foram 260 mil, segundo a concessionária. / N.C.
OESP, 22/03/2013, Cidades/Metrópole, p. C6
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