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Somente 9% do planeta ainda é coberto por florestas intactas

OESP, Vida, p. A19
22 de mar de 2006

Somente 9% do planeta ainda é coberto por florestas intactas

Entidade sugere rede de proteção dessas áreas, onde se concentra mais da metade das espécies conhecidas

Somente 9% da superfície terrestre do planeta ainda é coberta por florestas "intactas", nas quais estão concentradas mais de 50% das espécies terrestres conhecidas. Ao lado dos oceanos, outro principal reservatório de biodiversidade, as florestas estão criticamente ameaçadas, assim como as espécies que ali residem.

O alerta vem de dois estudos apresentados ontem pelo Greenpeace na 8ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 8), em Curitiba. Segundo a ONG, cerca de um quinto das formações florestais da Terra já foi significativamente degradada ou alterada pelo homem. Nos oceanos, onde o declínio de espécies também avança em ritmo acelerado, a organização propõe a criação de uma rede de áreas protegidas que cobriria nada menos do que 40% da superfície marítima do planeta.

"Os mais importantes hábitats na Terra são as florestas e os oceanos", disse o pesquisador Christoph Thies, da campanha internacional de Florestas do Greenpeace. "Só nas florestas, temos mais de metade das espécies terrestres em menos de 10% de território. É uma combinação extremamente perigosa." Segundo o relatório, 60% dos países (82 de 148) que originalmente apresentavam formações florestais não têm nenhum remanescente intacto dessas formações.

Segundo Thies, não há informações suficientes para dizer exatamente qual era a cobertura florestal original do planeta, em comparação aos atuais 9%. A estimativa, entretanto, é que, sem a interferência do homem, cerca de 45% da superfície terrestre hoje seria coberta por algum tipo de formação florestal.

Os pesquisadores definem "floresta intacta" como uma área de no mínimo 500 quilômetros quadrados que não tenha sido significativamente alterada pelo homem. A seleção foi feita por uma combinação de imagens de satélite (com resolução de 30 metros) e mapas topográficos. Foram excluídas as áreas com alterações visíveis do espaço ou conectadas por algum tipo de infra-estrutura de maior escala, como estradas e linhas de energia (uma indicação de ocupação humana). Não significa que sejam desabitadas, mas que a influência do homem não foi suficiente para alterar a cobertura vegetal.

Por esses critérios, mais de 95% das florestas intactas estão concentradas em 20 países - entre eles o Brasil, que, segundo o relatório, "derruba mais áreas de floresta por ano que qualquer outro". A América Latina é a campeã entre os continentes, com 35% dos remanescentes intactos (55% no País). Apenas 8% estão rigorosamente protegidos em todo o mundo. "Deveria ser no mínimo 50%."

OCEANOS

No ambiente marítimo, os ambientalistas estão preocupados principalmente com a pesca predatória em águas internacionais (além das 200 milhas náuticas de jurisdição dos países), que correspondem a 64% dos oceanos. "É a região menos regulamentada do planeta", disse o pesquisador Karen Sack, da campanha de Oceanos do Greenpeace. "Fora do alcance da fiscalização, os barcos de pesca fazem o que querem. O resultado tem sido uma incrível destruição da vida selvagem e dos ecossistemas marinhos."

Como solução, o Greenpeace propõe a criação de uma rede de 25 áreas protegidas que proibiria a pesca em 40% dos oceanos do planeta. Hoje, menos de 1% dos mares está protegido por unidades de conservação. Além disso, a organização reivindica uma moratória internacional imediata sobre a pesca de arrasto em águas profundas, considerada a atividade mais destrutiva dos oceanos. "Esperamos que esta conferência envie uma mensagem muito importante às Nações Unidas com relação a isso", disse Sack. "É preciso agir imediatamente. Negociações levam tempo, mas os oceanos não têm esse tempo a perder."

A proposta teria um impacto econômico gigantesco sobre a indústria pesqueira. Mas, segundo Sack, beneficiaria a atividade a longo prazo, ao proteger as áreas mais importantes para reprodução e sustentabilidade das espécies e dos estoques pesqueiros. Entre elas, os topos e encostas de montanhas submersas, que concentram grande parte da biodiversidade oceânica.

Segundo Sack, estudos indicam que populações de grandes peixes oceânicos, como atum, tubarão e espada, já foram reduzidas em mais de 90% por causa da pesca. "Os pescadores estão acabando com seu próprio negócio."

Mundo afora

9% é a área
de terra do planeta que ainda tem florestas intactas

82 dos 148 países
que tinham florestas não têm nenhum remanescente intacto dessas formações

35% das florestas
intactas remanescentes estão na América Latina

28% das áreas intactas
estão na América do Norte

8% das florestas
intactas são protegidas

1/2 da floresta perdida
nos últimos 10 mil anos foi destruída nos últimos 80 anos

1/2 dessa destruição
recente aconteceu nos últimos 30 anos

OESP, Vida, 22/03/2006, p. A19

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