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Solo da Amazônia retém gás-estufa

O Globo, Ciência, p. 32
02 de Jun de 2011

Solo da Amazônia retém gás-estufa
Sob a superfície, região guarda mais CO2 do que a floresta, diz IBGE

Cesar Baima

A Floresta Amazônica desempenha papel fundamental na retirada de dióxido de carbono (CO2, o principal gás do efeito estufa) da atmosfera, alimentando as plantas. O que poucos sabem, porém, é que o solo da região estoca mais carbono que todas as árvores da própria floresta. Os dados fazem parte do levantamento "Geoestatísticas de Recursos Naturais da Amazônia Legal", lançado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com a publicação, as plantas da Amazônia acumulam 45 bilhões de toneladas de carbono. Já o solo embaixo da exuberante floresta até a profundidade de um metro tem um estoque de cerca de 48 bilhões de toneladas do elemento, proveniente principalmente dos detritos dos próprios vegetais. Caso fosse liberado, esse carbono poderia comprometer seriamente as metas de redução das emissões que têm como objetivo conter o aquecimento global.
Como no Brasil estima-se que 75% das emissões de CO2 sejam oriundas de mudanças no uso da terra - por erosão e decomposição da matéria orgânica dos solos, por derrubada de florestas e outras formas de vegetação natural para o uso agropecuário - esses estoques são fundamentais para o balanço da liberação de gases de efeito estufa na atmosfera.
Recente relatório da Agência Internacional de Energia estima que as emissões globais de CO2 atingiram o recorde de 30,6 bilhões de toneladas no ano passado. Isso equivale a pouco mais de 8 bilhões de toneladas de carbono livre, de forma que o solo da Amazônia guarda o equivalente a quase seis anos de todas as emissões do planeta.
- A gente só pode proteger e valorar aquilo que conhece - diz Rosangela Garrido, técnica do IBGE responsável pelo capítulo sobre solo do levantamento. - A perda com o desmatamento vai muito além da floresta que estava ali.
Segundo Rosangela, porém, o mais surpreendente foi verificar que os solos mais ricos em carbono não são os sob as áreas mais densas da floresta, mas sim embaixo dos manguezais na borda nordeste da Amazônia Legal, nos litorais do Pará e Maranhão, e nas regiões de campinarana na borda noroeste do Amazonas e no centro-sul de Roraima.
- A gente sempre imagina que o maior estoque de carbono no solo vai acompanhar o maior estoque de carbono na vegetação, e isso não ocorreu - conta a pesquisadora. - Os maiores estoques que encontramos não foi sob aquela floresta maravilhosa, superverde, de folhas enormes que tanto caracteriza a Amazônia. Isso desmistifica essa relação direta entre vegetação e carbono no solo e agrega dois fatores, que são o declive do relevo e a presença de água, que favorecem o acúmulo deste material.

O Globo, 02/06/2011, Ciência, p. 32

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