24 Horas News-Cuiabá-MT
22 de Jul de 2003
A soja está invadindo áreas de florestas densas na Amazônia Legal, onde o índice pluviométrico é alto e, tradicionalmente, não se explorava esta cultura. 'A soja já chegou ao coração da Amazônia', disse o secretário de desenvolvimento sustentável do Ministério do Meio Ambiente, Gilnei Viana, do grupo interministerial que discute medidas para conter o desmatamento na Amazônia, que cresceu 40% entre 2001 e 2002. A soja e o plantio de outras 'culturas brancas', como arroz, milho e feijão, são apontados como os vilões na perda de floresta.
Além de Mato Grosso, mais oito Estados fazem parte da Amazônia Legal: Pará, Maranhão, Amazonas, Amapá, Tocantins, Roraima, Rondônia e Acre. Neste primeiro semestre, em Mato Grosso, o complexo soja [grãos, farelo e óleo] continuou liderando a pauta de exportação do Estado, respondendo por 83,36% das exportações.
A abertura de novos mercados e o aumento das importações por parte dos clientes tradicionais fizeram com que Mato Grosso comercializasse, em seis meses, US$ 998,7 milhões. Este montante mostra um crescimento de 48,78% em relação ao primeiro semestre do ano passado e representa o volume total de exportações feitas pelo Estado em 2000.
Segundo Gilney, a expansão da agricultura na Amazônia Legal é quase o dobro do que no restante do País. Só no chamado Arco do Desflorestamento, onde se concentram os 249 municípios com maior taxa de desmatamento na Amazônia Legal, estima-se o uso de 1,1 milhão de hectares na agricultura. Deste total, informa o secretário, 700 mil hectares serão ocupados com plantio de soja.
Antes, as áreas eram exploradas primeiro por madeireiras ou por criadores de gado. 'Em 1996, as pastagens eram os vetores do desmatamento', disse o secretário, mas hoje a agricultura está se sobrepondo à pecuária. Ele disse que o governo deverá gastar, neste ano, R$ 90 milhões com as ações de repressão ao desmatamento.
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