OESP, Metrópole, p. A18
01 de Ago de 2013
Socorro de Dilma vai para ônibus e mananciais
Presidente liberou R$ 8,1 bi do PAC para SP; obras de drenagem também foram incluídas
Adriana Ferraz
Fernando Gallo
Tiago Dantas
O governo federal saiu em socorro do prefeito Fernando Haddad (PT) e anunciou ontem um pacote de R$ 8,1 bilhões em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na capital paulista. A verba é mais do que o dobro da capacidade de investimento anual da cidade, calculada em R$ 3 bilhões. O dinheiro equivale, ainda, a um terço do necessário para bancar o Plano de Metas da Prefeitura, estimado em R$ 24 bilhões.
O investimento - anunciado ontem pela presidente Dilma Rousseff e que havia sido antecipado na terça-feira na coluna Direto da Fonte, de Sonia Racy -será aplicado em obras espalhadas pela cidade e ajudará a construir 99 quilômetros de corredores de ônibus, um terminal rodoviário, 18,3 mil casas populares, 5 piscinões e 8 parques lineares.
Na área da mobilidade, a ajuda, de R$ 3,1 bilhões, será responsável por cumprir 66% da meta de entregar 150 quilômetros de corredores de ônibus até 2016. Não à toa, Haddad classificou a visita de Dilma como "um dia histórico".
O prefeito lembrou que São Paulo produz 12% de toda a riqueza nacional e deve ser recompensada por isso. "Se quisermos manter nosso passo e nossa trilha em proveito do desenvolvimento humano, econômico e social (do Brasil), São Paulo tem de dar sua cota de contribuição e receber a sua cota de participação nos investimentos estaduais e federais."
Ao apresentar o Plano de Metas na Câmara Municipal, em março, o prefeito afirmou que teria de dobrar para R$ 6 bilhões a capacidade de investimento anual do município. Pelo menos mais R$ 4 bilhões do PAC devem ser destinados, até o fim do mandato, para Saúde e Educação. A primeira parcela pode chegar ainda neste ano - as somas, porém, não devem ser tão altas quanto as de ontem. Para abrir mais 172 creches, por exemplo, a Prefeitura espera cerca de R$ 200 milhões.
A presidente Dilma deu a entender que pretende direcionar mais recursos à capital paulista durante seu mandato. "Estamos colocando mais R$ 50 bilhões (em todo 0 Brasil com obras do PAC). É justo que a primeira cidade a receber os primeiros R$ 8 bilhões - e aí, Fernando (Haddad), estou de fato fazendo uma promessa, chamando de "primeiros 8" seja São Paulo. Porque aqui está concentrado o maior desafio do Brasil."
Mananciais. Um conjunto de obras urbanísticas no entorno das Represas Billings e do Guarapiranga, na zona sul, vai consumir R$ 3,3 bilhões do PAC. Cerca de 15 mil famílias que vivem nas margens das represas deverão ser removidas para novas moradias, por meio do Programa Minha Casa, Minha Vida.
Além disso, a Prefeitura quer fazer a contenção de áreas de risco, implementar sistema de esgoto e redes de abastecimento de água, construir escolas, postos de saúde e área de lazer. A região dos mananciais deve receber ainda cerca de R$ 240 milhões do governo do Estado. Outros R$ 290 milhões serão investidos pela própria Prefeitura para a compra de terrenos e aluguel provisório. A União investirá R$ 1,4bilhão em obras antienchente e de 3,3 mil moradias.
Para lembrar
Programa foi criado em 2011
Gabriel Manzano - O Estado de S.Paulo
O PAC da Mobilidade Urbana foi criado pelo então recém-instalado governo Dilma, em fevereiro de 2011 - era uma "perna" do PAC original, de 2007. Tendo no horizonte o péssimo estado de rodovias e do transporte de massa, além de grandes eventos esportivos - as Copas e a Olimpíada -, anunciou-se um pacote de R$ 32 bilhões para 24 cidades nas quais viviam 39 milhões de brasileiros. O objetivo era fazer 600 km de corredores exclusivos para ônibus, 380 terminais e estações, 200 km de linhas de metrô e mais de mil novos Veículos Leves sobre Trilhos (VLT).
A esse PAC voltado para grandes cidades juntou-se, em abril de 2012, o PAC das Cidades Médias - de R$ 7 bilhões, para 75 municípios entre 250 mil e 700 mil habitantes. Viadutos, pontes, corredores de ônibus e reurbanização engrossaram a lista de projetos, que hoje somam 167 em todo o País. Balanços, porém, mostraram-se modestos. Houve atrasos, alterações e até abandonos. Em 2012, o governo gastou nas grandes cidades apenas 9,7% do previsto.
O terceiro capítulo começou em junho. Os protestos de rua e o risco eleitoral levaram o governo a "relançar" os projetos de mobilidade urbana. Em reunião com governadores e prefeitos, Dilma Rousseff prometeu liberar R$ 50 bilhões - em grande parte, para obras já anunciadas e paralisadas, à espera de recursos.
OESP, 01/08/2013, Metrópole, p. A18
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