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Sócios recusam novo aporte em Santo Antônio

OESP, Economia, p. B9
26 de Set de 2014

Sócios recusam novo aporte em Santo Antônio
Assembleia foi convocada para deliberar nova injeção de recurso na empresa de R$ 1,14 bi

RENÉE PEREIRA - O Estado de S.Paulo

A Santo Antônio Energia anunciou ontem que não conseguiu um novo aporte para regularizar seu fluxo de caixa e pagar a dívida com o consórcio construtor. Por isso, a qualquer momento a obra da hidrelétrica, de 3,5 mil megawatts (MW), no Rio Madeira, pode ser paralisada, afirmou a empresa, em nota ao mercado.
Segundo a Santo Antônio, a assembleia-geral extraordinária realizada ontem não teve quórum para deliberar o aporte de R$ 1,14 bilhão proposto pela empresa. "Parte dos acionistas entendeu que a convocação para a assembleia não cumpriu o rito previsto nos estatutos" e não acatou o pedido.
A concessionária afirmou que continuará negociando o assunto com os acionistas: O grupo é formado por Furnas (39%), fundo Caixa FIP Amazônia Energia (20%), Odebrecht Energia (18,6%), Cemig (10%) e Saag Investimentos (12,4%), cujos acionistas são Andrade Gutierrez e Cemig.
"A iminente paralisação das obras, associada à indefinição em relação às liminares, suspensas pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) e sem decisão de mérito da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), somente agravam o risco de inviabilidade do empreendimento."
No início do mês, os sócios já haviam feito um aporte extra de R$ 860 milhões para pagar a conta da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) por não entregar toda a energia que vendeu ao mercado. Na semana passada, a empresa anunciou que não fez o depósito das garantias financeiras referentes aos gastos do mês de agosto, de R$ 266 milhões (o pagamento terá de ser feito no início de outubro). Por não fazer o depósito, a empresa corre o risco de ser desligada da CCEE e não poder vender energia no mercado.
Os problemas da Santo Antônio se intensificaram no início de agosto, quando uma liminar que livrava a empresa de alguns pagamentos no mercado de energia caiu. A partir daí, a Santo Antônio foi cobrada pela CCEE a pagar cerca de R$ 1 bilhão. A usina deveria ter iniciado sua operação em dezembro de 2012. Mas a empresa pediu para antecipar o funcionamento das primeiras máquinas, teve sinal verde da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e não conseguiu cumprir o prazo de dezembro de 2011. As primeiras turbinas só começaram a funcionar em março de 2012.
O problema é que a empresa vendeu a produção excedente de energia que geraria com a antecipação para o mercado livre. Mas a usina teve problemas com algumas turbinas e gerou menos do que o previsto. Agora, ela é obrigada a comprar energia no mercado à vista para entregar aos clientes, a um preço de mais R$ 700 o MWh.
Com tantos compromissos a honrar, o consórcio também não conseguiu manter a regularidade de pagamento aos construtores da usina. No mês passado, o consórcio construtor (formado por Odebrecht, Andrade Gutierrez e cinco fabricantes de equipamentos) começou a demitir o pessoal e reduzir o ritmo das obras. Procurados ontem, os construtores afirmaram que ainda não haviam recebido comunicado da Santo Antônio Energia sobre a normalização dos pagamentos devidos.

OESP, 26/09/2014, Economia, p. B9

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