O Globo, País, p. 12
09 de Jul de 2017
Sobrevivente de chacina no Pará é assassinado
Trabalhador rural era líder de grupo que ocupava fazenda em Pau D'Arco
Um dos líderes do grupo que sobreviveu à chacina de Pau D'Arco, no sudeste do Pará, onde dez agricultores foram mortos por policiais no dia 24 de maio deste ano, foi assassinado na noite de sexta-feira. O trabalhador rural Rosenildo Pereira de Almeida, de 44 anos, foi executado a tiros quando saía de uma igreja em Rio Maria, município distante cerca de 70 quilômetros do local da chacina.
Policiais civis das delegacias de Rio Maria e Xinguara investigam a morte de Rosenildo. O crime aconteceu por volta de 22h na localidade de Parque da Liberdade, em Rio Maria. Dois encapuzados chegaram em uma moto e atiraram quatro vezes contra o trabalhador rural. Em dois dos tiros, Rosenildo já estava caído, de costas.
Segundo o advogado das vítimas da chacina, José Vargas Júnior, Rosenildo era uma das lideranças das famílias da fazenda Santa Lúcia no novo acampamento. A Polícia Civil não confirma a relação entre os crimes.
DEZ MORTOS EM CHACINA
Às 6h30m do dia 24 de maio, um grupo de 24 policiais militares e quatro civis foram até a fazenda Santa Lúcia para cumprir mandados de prisão de suspeitos de envolvimento na morte de Marcos Batista Ramos Montenegro, um segurança da propriedade, assassinado no dia 30 de abril.
De acordo com a polícia, as equipes chegaram à fazenda e encontraram o alojamento dos seguranças que, supostamente, teria sido incendiado pelos invasores, mas não encontraram os suspeitos. Durante a operação, a polícia localizou uma pessoa que seria um dos procurados - este, ao correr para a mata, acabou indicando o caminho para o esconderijo do grupo.
A polícia afirma que os assentados tinham um arsenal de armas de fogo e reagiram à ação. Houve troca de tiros, que resultou na morte de dez agricultores, além de quatro feridos. A maior parte do grupo conseguiu fugir.
Em depoimento prestado ao Ministério Público Federal, uma testemunha contou que estava acampada com outras pessoas perto da sede da fazenda quando ouviram barulho de carros. Dois colegas foram ver o que era e voltaram dizendo que a polícia havia chegado. Todos saíram correndo mata adentro.
O sobrevivente disse ainda que, depois de andarem por 500 metros, montaram um abrigo. Ele conta que a polícia apareceu gritando "não corre senão morre," e que os policiais cometeram diversos excessos, caracterizados como tortura e violações dos direitos humanos. Esta semana, a Polícia Federal iniciou uma reconstituição para levantar o que ocorreu quando os trabalhadores foram mortos. (Com G1)
O Globo, 09/07/2017, País, p. 12
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.