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Soberania e defesa da Amazônia são vontade do povo, diz general

Folha de Boa Vista-RR
08 de Dez de 2001

O auditório do Palácio da Cultura esteve lotado por representantes de vários segmentos sociais na abertura do simpósio sobre Estratégia da Resistência e Mobilização Nacional em Defesa da Amazônia. A idéia central de todos os painelistas apontou a vontade do povo como condição essencial a qualquer iniciativa de ocupação, exploração e defesa da região.
O comandante da 1ª Brigada, general Claudimar Nunes, fez a abertura do encontro pouco depois das 19h30. Ele apresentou como painelistas o comandante militar da Amazônia general Valdésio Guilherme de Figueiredo, o professor e articulista da revista Veja Olavo de Carvalho, o deputado federal Antônio Feijão (PSDB-AP) e o governador Neudo Campos (PFL).
Conforme o comandante do CMA, a defesa da Amazônia é como se fosse de qualquer lugar despovoado e de difícil acesso no mundo. "Defender a região depende muito mais da vontade da população do que da força armada. A força armada depende exclusivamente da vontade do povo para fazer a defesa, senão, não o fará", disse.
O general Guilherme admite que exista diferença de pensamento sobre a Amazônia entre brasileiros do Norte e do Centro-Sul, ressaltando que este não é o caso dos militares. "Nossa vivência nacional permite entender a diferença, mas ela existe principalmente porque é cultural. A busca do desenvolvimento aqui é sobrevivência, é esperança, é objetivo. Lá, já está desenvolvido e eles querem mais, e às vezes procuram retardar o processo que acontece aqui, para ter esperança de se desenvolverem melhor".
O comandante militar da Amazônia entende que a concentração de reservas indígenas e reservas florestais não é obstáculo ao desenvolvimento porque todas estão em terras da União. De acordo com ele, à medida que o país precisar de áreas para vivificar ou expandir comunidades surgidas ao longo das fronteiras internacionais, estes espaços serão abertos.
Questionado sobre os obstáculos enfrentados pelo Exército para construir o Pelotão de Uiramutã, negou que eles existam. "Não existe embaraço nenhum. A própria Constituição estabelece que a faixa de 150 quilômetros ao longo da fronteira terrestre é fundamental para a defesa do território nacional. Como a missão constitucional do Exército é a defesa da pátria, não vejo embaraço", declarou ao comentar que a obra é executada de acordo com os recursos disponíveis.
A presença de organizações não-governamentais com influência às vezes mais forte que os governos estaduais também não abala o militar, por entender que elas estão aí em função de haver ou não vontade nacional.
"Acho que no momento que se permite uma organização estrangeira qualquer embargar ou apreender materiais de empresas ou de cidadãos brasileiros sem que ela tenha poder de polícia, estamos sem vontade nacional", declarou o general Guilherme.

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