OESP, Economia, p. B14
26 de Jun de 2008
Shell vai investir em etanol de cana-de-açúcar
Para gigante do setor de petróleo, lucros no setor são promissores
Jamil Chade
A Shell vai investir em etanol de cana-de-açúcar. A gigante do setor de petróleo acredita que os biocombustíveis podem ser "muito atrativos" e nega que o etanol esteja gerando um lobby do setor contra países como o Brasil. A empresa, porém, avisa que não vai apostar no etanol de milho dos Estados Unidos.
"Quando se analisa a produção de cana, como no Brasil, está claro que se trata de um setor atrativo para investimentos e achamos que esse modelo no Brasil é sustentável em termos ambientais", afirmou o chefe mundial do Departamento de Tecnologia da Shell, Jan van der Eijk. "Tudo indica que o etanol de cana é bom para a economia e para o meio ambiente. Portanto, é um bom investimento, com lucros promissores, e vamos seguir essa tendência."
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, no início do mês, em Roma, que as vozes que criticavam o etanol eram de pessoas que tinham seus "dedos sujos de petróleo".
O representante da Shell nega essa versão. "A indústria do petróleo não teme ser prejudicada pelo etanol. Nos próximos anos, precisaremos de todos os combustíveis possíveis. A demanda mundial será grande e todos os combustíveis terão lugar", afirmou.
Ele explica que a Shell vai investir tanto no etanol de cana quanto no desenvolvimento de um etanol de celulose. "São esses os modelos que fazem sentido econômico e estamos considerando o envolvimento da Shell nesse setor. Não estamos considerando usar nem milho nem trigo." O motivo da recusa pelo etanol de milho seria a necessidade de subsídios para que o produto seja competitivo.
Para o prêmio Nobel da Paz Rajendra Pachauri, biocombustíveis podem ser parte da solução para a questão ambiental. Mas só os produzidos de forma sustentável e que não gerem alta nos preços dos alimentos. "Parece que o etanol brasileiro se encaixa nesses critérios."
OESP, 26/06/2008, Economia, p. B14
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