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Setor têxtil revela avanços ambientais

GM, Meio Ambiente, p. A7
09 de Ago de 2004

Setor têxtil revela avanços ambientais

Inventário das indústrias está sendo finalizado e indicadores serão apresentados em setembro. A indústria têxtil brasileira obteve avanços no controle e na prevenção dos problemas ambientais nos últimos anos no Brasil. É o que aponta o resultado, ainda parcial, do Inventário Ambiental do Setor Têxtil, documento produzido pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), com sede em São Paulo. Os indicadores ambientais do setor deverão ser apresentados no congresso que a Associação Brasileira de Técnicos Têxteis (Abtt) realiza em Natal, de 7 a 11 de setembro.
O coordenador de Meio Ambiente da Abit, Eduardo San Martin, engenheiro especializado em controle da poluição, baseia-se nos resultados parciais do inventário para ir além: "Somos o setor da indústria que mais se conscientizou e avançou na área ambiental. Já conseguimos, por exemplo, quebrar barreiras ambientais no mercado internacional e criamos a imagem de uma indústria que tem procurado trabalhar dentro do conceito de produção mais limpa há pelo menos três anos". O setor concentra em torno de 3 mil unidades têxteis, ou 15 mil, se forem consideradas também as confecções.
San Martin considera que os problemas ambientais mais complexos do setor concentram-se em cerca de 300 empresas espalhadas pelo Brasil. Um percentual elevado destas empresas - os números parciais do inventário serão divulgados apenas em setembro - respondeu ao questionário formulado pela Abit. San Martin afirma que praticamente todas as empresas que responderam implementaram gestão ambiental "ampla e séria". O índice de empresas que têm, por exemplo, tratamento de esgotos, entre as que já responderam ao questionário, é de 90%. Todas elas, segundo San Martin, destinam seus resíduos sólidos de modo correto.
Conscientização
Todo o processo de conscientização, conta San Martin, foi iniciado há cinco anos e meio quando o presidente da Abit, Paulo Skaf, começou a exortar as indústrias têxteis de que as portas do mercado externo estariam fechadas para as empresas que tivessem sua marca associada a passivos ambientais mais expressivos.
"De lá para cá", afirma San Martin, "a preocupação com as questões ambientais ganhou amplitude no setor têxtil e a grande maioria dos empreendedores começou a adotar os conceitos da produção mais limpa, baseados fortemente na prevenção". Ele trabalha para que todas as empresas do setor participem do inventário e não deixem de responder ao questionário disponível na internet.
O congresso em Natal representa o cenário ideal para a Abit não apenas divulgar os primeiros resultados, mas ampliar o número de respostas ao questionário. "Afinal, o XXI Congresso Internacional da Abtt adotou como tema central de suas atividades a consciência ambiental na cadeia têxtil".
Uma das personalidades a serem homenageadas com o título "Personalidade de Fibra" durante o congresso será Rubens Paulo Becker, presidente da Cognis, indústria química de Jacareí (SP). A homenagem é uma demonstração de que começa a haver confluência de interesses na solução dos passivos ambientais do setor têxtil: "Um dos problemas ambientais típicos da indústria têxtil está nas tinturarias, de modo que, sem a contribuição da indústria química, não conseguiremos resolvê-los", diz Eduardo San Martin.
A Cognis não produz corantes, mas produtos auxiliares da pigmentação têxtil. Ainda assim, Becker assegura que há vários anos todos os produtos da Cognis são "ambientalmente corretos". Embora os técnicos demonstrem que não há como transformar em biodegradáveis todos os corantes e alvejantes usados na indústria têxtil, as informações são de que a indústria química tem contribuído fortemente para tornar mais eficaz o controle ambiental na indústria têxtil.
O próprio San Martin tem coordenado o esforço da Abit em induzir a substituição da lenha por gás natural na caldeiras das indústrias. "Caminhamos em velocidade para eliminar um segundo problema, o da poluição do ar", anuncia. Falta ainda resolver a questão dos ruídos e vibrações causados pelas fábricas localizadas em áreas urbanas, o que também está no foco da Abit. "Realizamos reuniões periódicas com organismos ambientais de todo o país, em busca de orientação para enquadramento dos sócios nas normas técnicas em vigor", diz.

GM, 09/08/2004, Meio Ambiente, p. A7

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