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Sesc tem visitas a Planetário e mostra como ciência e astronomia são divertidas

Campo Grande news https://www.campograndenews.com.br/
Autor: Thaís Pimenta
26 de jul de 2018

Começou ontem (25) e segue até sábado no Sesc Cultura a experiência de conhecer de perto o projeto Saturno, do curso de Física da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) do campus de Dourados. Em um planetário é possível viajar por meio de projeções realistas no céu do nosso Estado visto em uma área rural afastada das cidades. Os orientadores percorrem as galáxias, norteiam o público e explicam um pouco de como nossas estrelas eram lidas e continuam ainda a ser referência para os índios sul-mato-grossenses.

A noite, os visitantes podem mergulhar no mundo dos telescópios e observar as mesmas galáxias vistas anteriormente dentro do planetário, além de dar uma bisbilhotada nos planetas que são visíveis da Terra nesta época do ano, como explica uma das professoras responsáveis pelo projeto, Cecília Maria Pinto Nascimento. "Quando o sol se põe a gente observa Vênus. A noite surge e conseguimos ver, dependendo das nuvens, claro, Júpiter, Saturno, a lua e até mesmo Marte no horizonte leste".

A proposta é aproximar a ciência da sociedade e tirar o status de física é só cálculo e teoria. Outro professor responsável pelo projeto, na verdade um dos criadores dele, é também o coordenador do curso, Paulo da Silva, e foi quem começou o estudo ao lado do amigo Germano, que hoje leciona em Cassilândia, sobre as constelações vistas pelos índios daqui. Um trabalho que une sociologia à física e tem muito a acrescentar na astronomia mundial. "Não perde para nenhuma outra cultura, nem a ocidental", afirma ele.

Paulo explica distrincha de forma didática o obsertário solar indígena do passado, quando as aldeias se norteavam por meio do céu para caça, colheita e até mesmo, nascimento de seus filhos.

O trabalho de pesquisa de Paulo e Germano rendeu um livro, "O céu dos índios de Dourados Mato Grosso do Sul", em que explica as constelações do Índio Velho, da Ema, do Colibri, da Anta, e tantos outros amontoados de estrelas vistas por nós.

"O interessante é que quando se fala de Astronomia ociendental é muito difícil, de fato, conseguir enxergar a constelação de Touro, por exemplo. Só por meio da imaginação a gente consegue identificar ela no céu. A Astronomia indigena, por outro lado, é muito mais visível. Você consegue enxergar o índio Velho sem muito esforço, por exemplo", completa ele.

A pesquisa começou em 2008 e contou com visitas constantes às aldeias de Jaguapiru e do Panambizinho, em Dourados. Demorou um tempo até os pesquisadores ganharem a confiança dos povos destas localidades. "Precisávamos estar em contato com os mais velhos das aldeias porque o conhecimento não é muito repassado, eles dizem que os jovens não têm interesse, então a pesquisa tem caráter até emergencial mesmo, para que a cultura não se perca", completa ele.

Foi um ano de visitas constantes, mais três de edição até o livro ser finalmente lançado em duas línguas, português e guarani. Esse trabalho será explicado em na palestra "Etnoastronomia e os conhecimentos indígenas sobre o céu", ministrada pelo próprio professor hoje, às 19h. Nela, além das constelações, Paulo explica os mitos que permeiam seus nomes e referências.

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