OESP, Economia, p. B10
28 de Set de 2007
Sertão do Ceará deve ter usina de urânio em 2011
Unidade vai custar US$ 190 milhões e ficará junto a processadora de fosfato
Carmen Pompeu
Fortaleza
Em 2011, o Ceará deve receber uma usina de urânio. O Estado tem uma jazida do minério localizada em Itataia, no município de Santa Quitéria, a cerca de 200 quilômetro de Fortaleza, no sertão central. A usina deve ser instalada junto a uma unidade de processamento de fosfato, que tem no urânio seu principal insumo. O processamento do fosfato será executado por uma empresa privada, enquanto a usina contará com capital e exploração do governo federal.
De acordo com Alfredo Tranjam, presidente das Indústrias Nucleares Brasileiras (INB), braço direito da União na exploração do monopólio do urânio no País, o projeto deve consumir investimentos entre US$ 140 milhões e US$ 190 milhões. A maior parte desse valor seria coberta pela agência mineradora: algo entre US$ 120 milhões e US$ 170 milhões, utilizados para a construção da unidade processadora de fosfato. Os US$ 20 milhões restantes serão investidos pela INB.
Em entrevista ao jornal cearense Diário do Nordeste publicada ontem, Tranjam afirmou que oito mineradoras do País foram convidadas a participar do processo que apontará a empresa exploradora da usina. Os envelopes com as propostas devem ser abertos no fim de outubro e o nome da vencedora será anunciado em novembro.
De acordo o presidente da INB, o investimento do governo no projeto é menor por causa do aproveitamento da estrutura da unidade de fosfato. Segundo Tranjam, o Brasil produz 48% do fosfato que consome, tendo de buscar o minério em outros países, sobretudo no Marrocos. A fábrica a ser instalada no Ceará não vai garantir a auto-suficiência, mas diminuirá essa dependência.
A mina de Itatai tem capacidade de produção de 800 toneladas por ano de urânio e jazidas com 300 milhões de metros cúbicos de calcário e 120 mil toneladas por ano de ácido fosfórico, usado na fabricação de sais minerais animal e fertilizantes à base de fosfato.
PROMESSAS
Quando foi descoberta, em 1976, pelo geólogo Givaldo Lessa Castro, Itataia era a sexta maior jazida de urânio do mundo. Mais de 30 anos se passaram e projeto no Ceará não saiu do papel.
Foram apresentadas várias justificativas para os atrasos na execução da obra: falta de empresas para a exploração do minério, dificuldades de acesso à jazida, alto custo do beneficiamento do fosfato. A burocracia eleva os custos de financiamento das proponentes, como a Tortuga, cuja carta de crédito expirou em julho de 2006 e teve de retornar ao zero no páreo.
OESP, 28/09/2007, Economia, p. B10
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