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Seminário debate opções para economias de baixo carbono

Valor Econômico, Brasil, p. A4
14 de Jun de 2017

Seminário debate opções para economias de baixo carbono

Daniela Chiaretti

O maior desafio da transição da economia ao baixo carbono é direcionar os investimentos em infraestrutura limpa e criar mecanismos que incentivem a redução nas emissões de gases-estufa. O debate sobre dar preço ao carbono ganha fôlego no Brasil e no mundo.
Este foi o tema-chave do seminário "25 anos da Convenção do Clima e da Rio-92 - Rio Clima 2017", que começou ontem, no auditório da Firjan, no centro do Rio. "Precisamos discutir os mecanismos econômicos para a descarbonização", disse Alfredo Sirkis, diretor executivo do think tank Centro Brasil no Clima, que organiza o evento anualmente desde 2012.
"Como vamos ter dinheiro fluindo para onde queremos, que é criar economias de baixo carbono resilientes em todos os países?", questionou Vikram Widge, chefe de finanças climáticas do International Finance Corporation (IFC), do Banco Mundial. "Dar preço ao carbono será um grande vetor da transição. Precisamos de preços para mercados de carbono, para taxas ao carbono ou para os países que escolherem um mix entre ambos", seguiu.
Já há alguns anos o Ministério da Fazenda vem estudando qual seria a melhor opção para o Brasil.
"Temos que desenvolver instrumentos dentro de uma política doméstica de clima que sirvam como sinalização para os agentes econômicos", defendeu Aloisio Melo, coordenador geral de Meio Ambiente e mudanças climáticas da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda.
"Vivemos uma dura realidade para pensar políticas públicas diante dos limites ao financiamento nacional, estaduais e locais em função do novo regime fiscal", lembrou, defendendo a necessidade de se alocar recursos e destravar o potencial de novos instrumentos.
"É o momento para pensarmos a política de clima. E de como criar um ambiente regulatório que sirva para investidores e que mostre que este é um país onde o desempenho das emissões de gases-estufa é conhecido e quantificado. E que o Brasil tem espaço para investimentos em infraestrutura que podem se traduzir em investimentos de baixo carbono", disse.
"Criar um ambiente regulatório pode fazer toda a diferença. E onde o carbono seja explicitamente parte do nosso aparato de políticas, coisa que hoje não é", prosseguiu. "Temos um gap e esta agenda positiva e desafiadora deve fazer parte da solução para o momento difícil que a gente vive."
Com ele concorda Rogerio Studart, que durante anos foi do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento, e hoje está no think tank americano Brookings Institution. "O governo deveria atuar para criar plataformas e alavancar o investimento privado. O país tem enorme déficit em infraestrutura e esta é uma tremenda oportunidade", disse.
Mas o Brasil tem que vencer muitos obstáculos à frente. "Nós não sabemos recuperar floresta tropical.
Nós sabemos cortar", lembrou Sergio Leitão, diretor de Relacionamento com a Sociedade do Instituto Escolhas, ao falar sobre os desafios do país em inovação na agenda climática.
Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima, lembrou que a fatia destinada ao Plano de Agricultura de Baixo Carbono (conhecido como Plano ABC) diante das metas de investimento do Plano Safra, é um percentual irrisório.
Ana Toni, diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade (ICS), pontuou que, no Brasil, a agenda do clima "ganhou musculatura e tornou-se uma agenda econômica, mas ainda distante da sociedade. E por isso, a milhas e milhas de distância do Congresso Nacional". Complementou: "Não vamos ganhar esta batalha sem trazer melhores representantes ao Congresso Nacional."
O primeiro dia do seminário "Rio Clima 2017" foi marcado pelo debate em torno das finanças climáticas e também das decisões do Congresso que colocam em risco a proteção da Amazônia, flexibilizam o licenciamento ambiental e têm o potencial de premiar a grilagem de terras.

Valor Econômico, 14/06/2017, Brasil, p. A4

http://www.valor.com.br/brasil/5003616/seminario-debate-opcoes-para-eco…

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