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Sem parar

O Globo, Opinião, p. 7
Autor: MUNIZ, José Antonio
15 de Set de 2009

Sem parar

José Antonio Muniz

O Brasil passa por momento crucial. Depois de quase três décadas, voltamos a ter condições de dar um salto qualitativo, passando da promessa de "país do futuro" para a realidade de nação forte e justa. Depende de nós, no entanto, a escolha do caminho que tomaremos para superar os desafios que se impõem à nossa geração. Quando pensamos na geração de energia elétrica, precisaremos suprir as necessidades de um país enorme, mas, ao mesmo tempo, proteger o meio ambiente e assegurar às gerações futuras os recursos essenciais à vida.

Dono de vasto potencial hidrelétrico ainda não explorado, o Brasil tem nas usinas hidrelétricas uma opção sustentável. Sabemos, no entanto, que sua construção envolve impactos que precisam ser estudados com atenção. Ao longo de anos de experiência, porém, desenvolvemos a consciência e a tecnologia necessárias para que nossas hidrelétricas se consolidem como um fator de desenvolvimento para as regiões em que estão inseridas, controlando seus impactos.

Neste sentido, o Aproveitamento Hidrelétrico Belo Monte, agora em debate em audiências no Pará, é um excelente exemplo. Os estudos realizados pela Eletrobrás possibilitaram a configuração de um projeto com capacidade instalada de 11.233MW e apenas 516km² de área alagada, dos quais 200km² já inundados durante os períodos de cheia do rio.

Aprendemos também que nossas usinas devem ser viáveis do ponto de vista social e ambiental. Os debates em torno dos impactos sociais, ambientais e econômicos de Belo Monte já duram 20 anos. A usina é um projeto equilibrado, que assegurará parte importante do suprimento de energia previsto para os próximos decênios, e também trará benefícios à população local.

As cheias do Rio Xingu desabrigam, sazonalmente, milhares de pessoas que vivem à margem de igarapés urbanos em condições precárias. Em função da construção da usina, esses brasileiros serão reassentados em bairros seguros, com casas adequadas, saneamento básico e, claro, energia elétrica.

O projeto prevê ainda a construção e a operação de centros comunitários, onde jovens e adultos serão capacitados em atividades que lhes gerem emprego e renda, permitindo o resgate de sua cidadania. Verifica-se, portanto, uma mudança de paradigma.

Não falamos de um enclave na Amazônia para beneficiar o restante do país. Falamos de alavancar o desenvolvimento regional, ouvindo as demandas da população local e estudando soluções que resultarão na melhoria da qualidade de vida de todos.

Belo Monte indica que estamos no caminho da sustentabilidade. Os desafios são grandes, como os debates dos próximos dias devem mostrar. Mas, pautados pelo compromisso social e pela responsabilidade ambiental, poderemos superar cada um deles.

José Antonio Muniz é presidente da Eletrobrás.

O Globo, 15/09/2009, Opinião, p. 7

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