Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: Leandro Freitas
01 de Dez de 2005
Os índios yanomami não permitem que servidores entrem para dar expediente
Sem a confirmação do repasse de verba para as conveniadas prestadoras de serviços de saúde na área yanomami, que estava previsto para ontem, os índios decidiram ficar na sede do prédio da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) e impedir a permanência dos servidores. A ocupação do prédio público já entra para o terceiro dia.
Na manhã de ontem, os índios retiraram o ex-coordenador da Funasa, Ramiro Teixeira, que estava mediando as negociações com o grupo. Eles não concordam com a exoneração do então coordenador regional, Ionilson Sampaio.
Durante todo o dia, índios e funcionários das Organizações Não-Governamentais (ONGs) mantiveram contato com Brasília para obter maiores informações. Segundo o membro da Hutukara (Associação Yanomami), Dário Vitório Xiriana, os indígenas só deixarão a sede da Funasa mediante a confirmação de pagamento para as conveniadas.
Só ontem foi feito o empenho das ordens de pagamentos. A Assessoria de Comunicação Social da Funasa em Brasília confirmou a informação e informou que o dinheiro será liberado até sexta-feira.
Irão receber o dinheiro somente o Instituto Brasileiro pelo Desenvolvimento Sanitário (IBDS) e a Fundação Universidade de Brasília (FUB), na ordem de R$ 210.913,28 e R$ 3 milhões, respectivamente. Já a Secoya (Serviço de Cooperação com o Povo Yanomami) deverá receber somente na próxima semana, por causa do impasse na finalização da prestação de contas, conforme a assessoria da Funasa.
O dinheiro que será repassado às ONGs contemplará a compra de medicamentos, pagamento de pessoal e outras despesas para dar continuidade às ações de saúde básica na área yanomami.
COMITIVA - Para tentar solucionar esse e outros problemas enfrentados pela população yanomami, os 12 conselheiros distritais embarcarão na próxima semana a Brasília para reunião com representantes do Ministério da Saúde e Funasa. A viagem será custeada pela presidência do órgão. Ainda não há uma data definida.
Enquanto isso não se define, os índios continuarão passando o dia na sede da Funasa, monitorando a entrada e saída de funcionários. À noite eles se dividem entre a Casa de Estudos e a sede da CCPY (Comissão Pró-Yanomami).
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