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Sem combate, desmatamento mantém alta em 2021

Observátorio do Clima - https://www.oc.eco.br
06 de Ago de 2021

Sem combate, desmatamento mantém alta em 2021
Queda de 5% no número de alertas apenas reflete dinâmica do crime ambiental, enquanto governo que enterrou plano de combate vende ação do Exército como cloroquina.

06.08.2021 - Atualizado 07.08.2021 às 14:41 |
PRESS RELEASE

O acumulado de alertas de desmatamento em 2021 foi de 8.712 km2, mostram dados divulgados nesta sexta-feira (6/8) pelo sistema Deter, do Inpe (até 30 de julho, faltando um dia para fechar o ciclo de apuraça~o do desmatamento, que vai de agosto de um ano a julho do ano seguinte). E a segunda maior cifra da série iniciada em 2016, perdendo apenas para o ano passado. Os tres recordes da série foram batidos no governo Bolsonaro, no qual os alertas sa~o 69,8% maiores que a média dos anos anteriores.

Nem mesmo o general Hamilton Moura~o, comandante do Conselho da Amazonia, conseguiu comemorar o recuo de 5,4% na área de alertas em relaça~o a 2020. Há poucas semanas ele havia prometido à imprensa que o desmatamento cairia 10% e na segunda-feira (2/8) declarou que na~o cumpriria a meta. No ano passado, a embaixadores estrangeiros, foi ainda mais otimista: prometeu 15% de queda.

Até as árvores mortas da Amazonia sabem que nenhum numero que o governo ponha na mesa tem credibilidade, já que falta ao Brasil o essencial: uma politica de controle do desmatamento. Ao contrário, há dois anos e meio o regime de Jair Bolsonaro se dedica a desmontar a governança ambiental e a ativamente estimular o crime. "O destino da floresta está nas ma~os das quadrilhas de grileiros, madeireiros ilegais e garimpeiros. Hoje, sa~o eles que determinam qual será o dado oficial de desmatamento. Na Amazonia, o crime ambiental atua livremente, e conta com a parceria do atual governo", afirma Marcio Astrini, secretário- executivo do Observatorio do Clima.

O plano de controle do desmatamento criado em 2004 foi abandonado. No fim de junho, apos dois anos e meio de governo, o ministro Ricardo Salles caiu sob acusaça~o de montar um escritorio do crime no ministério para favorecer madeireiros. A "foice no Ibama" ordenada por Bolsonaro no começo de seu mandato derrubou pela metade as multas por crimes contra a flora na Amazônia em relação a 2018, ultimo ano antes do inicio da atual gesta~o. O governo ainda paralisou o fundo Amazonia e travou a cobrança de multas ambientais do pais. O novo ministro, Joaquim Leite, até agora na~o tomou nenhuma medida que contrarie as politicas de seu antecessor.

Ao contrário, o governo federal agora tem um apoio fundamental e ainda mais perigoso para o desmonte: o Centra~o, comandado por Arthur Lira (PP-AL). O presidente da Camara aprovou num intervalo de poucas semanas o fim do licenciamento ambiental e a anistia potencialmente eterna à grilagem de terras, principal motor do desmatamento na Amazonia. "A expectativa de anistia com a aprovaça~o do PL da Grilagem é um estimulo para os desmatadores e tende a tornar muito mais dificil o controle da destruiça~o. Os altos indices de desmatamento e o desmonte da legislaça~o ambiental tem repercussa~o mundial e prejudicam imensamente a imagem do pais. E neste cenário que o Brasil chegará, daqui a alguns meses, na conferencia do clima da ONU", prossegue Astrini.

As ações pontuais do Exército, como a fracassada Operaça~o Verde Brasil e agora Operaça~o Samauma, que os satélites mostram também estar falhando, sa~o vendidas como aça~o a governos estrangeiros preocupados com o impacto do desmatamento sobre a meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento da Terra a 1,5oC. Mas, na ausencia de qualquer politica publica para a floresta que na~o seja a pilhagem promovida por Bolsonaro, Moura~o e Lira, tem tanta eficiencia quanto cloroquina.

Os dados oficiais de desmatamento, do sistema Prodes, sera~o divulgados apenas no fim do ano, mas os alertas do Deter - monitoramento diário que deveria orientar a fiscalização do Ibama - ajudam a projetar o tamanho do problema. O resultado indica que o desmatamento anual deverá, pela terceira vez, ficar proximo de 10 mil km2, o que na~o ocorria desde 2008.

Recordes de alertas em mineraça~o e degradaça~o
A análise por categorias de alertas indica que a mineraça~o devastou 125 km2 em 2021, a maior marca desde o inicio da série historica do Deter-B, em 2016. Houve alta de 62% em relaça~o a 2018.

O registro coincide com a discussa~o no Congresso de projeto de lei apresentado por Bolsonaro no inicio de 2020 para liberar o garimpo em terras indigenas, além do boicote de várias operações contra garimpos ilegais. Em abril de 2020, a cupula da fiscalizaça~o do Ibama foi exonerada apos uma operaça~o de combate a garimpos em terras indigenas no Pará.

A degradaça~o florestal (quando é removida parte da vegetaça~o) também atingiu nivel recorde: 6.062 km2 em 2021, a maior marca desde 2017, inicio da série historica disponivel. Houve alta de 87% em relaça~o a 2018. Apenas o corte seletivo, ou seja, a extraça~o de madeira, quase triplicou em área de alertas em 2020 e 2021 em relaça~o à média dos anos anteriores. O periodo coincide com as ações de Ricardo Salles e do presidente suspenso do Ibama, Eduardo Bim, para afrouxar o controle da exportaça~o de madeira - pelas quais ambos respondem hoje na Justiça.

Sobre o Observatorio do Clima: rede formada em 2002, composta por 66 organizações na~o governamentais e movimentos sociais. Atua para o progresso do diálogo, das politicas publicas e processos de tomada de decisa~o sobre mudanças climáticas no pais e globalmente. Site: http://oc.eco.br.

Informações para imprensa
Solange A. Barreira
solange@pbcomunica.com.br
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