O Globo, Ciência, p. 32
10 de Jul de 2008
Sem acordo para o clima
Países do G-5 não aceitam meta de redução de C02 proposta pelo G-8
Gilberto Scofield Jr
Enviado especial
Os governos da China e da Índia deixaram claro ontem que não pretendem assumir uma meta de redução em suas emissões de gases do efeito estufa, um dia depois do G-8 (Estados Unidos, Japão, Reino Unido, França, Itália, Alemanha, Canadá e Rússia) propor que os 200 países que negociam soluções para o aquecimento global no âmbito da ONU cortem em 50% suas emissões até 2050.
De acordo com diplomatas que participaram ontem do encontro entre os líderes do G-8 e do chamado G-5 (que reúne Brasil, China, Índia, África do Sul e México) em Hokkaido, no Japão, esses países preferem adotar metas voluntárias verificáveis, ainda que defendam a adoção de cortes para as economias desenvolvidas.
Lula apresenta relatório sobre emissões
Este tem sido um dos principais impasses para o avanço na adoção de medidas voltadas para conter o aquecimento global. Alguns países emergentes admitem mudar o padrão de seu crescimento econômico para algo mais sustentável, mas alegam que não é justo que suas economias não possam crescer por causa de limites impostos às emissões.
Os países ricos, por sua vez, ainda que historicamente sejam os principais responsáveis pela situação atual de destruição do meio ambiente, acham que grandes economias emergentes e poluidoras, como China e Índia, devem também adotar limites de emissão.
- Os países desenvolvidos devem adotar compromissos para que continuem a liderar os esforços de redução nas emissões - disse o presidente da China, Hu Jintao.
Na reunião entre membros do G-8 e do G-5 ontem no Japão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva distribuiu entre os presidentes dois gráficos, compilados pela Embrapa com base em dados pesquisados pela Administração de Informação sobre Energia dos EUA, em 2005.
As listas mostram que os países ricos lideram os rankings de maiores emissores de CO2, tanto na contabilidade do total produzido, quanto no cálculo das emissões por número de habitantes ou por área do país.
- Nas emissões totais, o Brasil responde por apenas 1,28% do total de gases CO2, e também está em excelente posição quando se analisa as emissões por habitante ou por tamanho do território. - disse o presidente. - É em função de dados confiáveis como esse que devemos fixar as metas que precisamos atingir para reduzir o aquecimento global.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o impacto dos números deve fazer com que no Encontro das Maiores Economias - previsto para ocorrer em 2009 (reunindo o G-8, o G-5, mais Austrália, Indonésia e Coréia do Sul) - os países se debrucem sobre diagnósticos confiáveis, que ajudem a estabelecer metas diferenciadas.
Opinião
Primeiro passo
A despeito da falta de detalhes sobre como a meta será atingida, não se pode deixar de saudar o fato de EUA e Rússia, junto aos demais integrantes do G-8, terem proposto reduzir em 50% a emissão de gases-estufa até 2050.
Os EUA, principalmente, têm sido o grande obstáculo nos esforços para conter o aquecimento global.
Mudanças reais só após eleição americana
Cláudia Macedo
Do Globo Online
Com o encerramento da reunião do G-8 sem metas de curto prazo para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, analistas afirmam que medidas efetivas sobre aquecimento global só serão tomadas com a eleição do novo presidente dos Estados Unidos.
- O tabuleiro internacional das questões ambientais se redefine a partir da posse do novo presidente dos Estados Unidos - analisou o professor de Relações Internacionais e especialistas em mudanças climáticas da UnB, Eduardo Viola. - Até agora o governo americano foi irresponsável quanto à mudança climática. Mas os candidatos à Presidência falam que é fundamental mitigar a mudança climática.
Ambientalistas criticaram as metas estabelecidas durante a reunião de cúpula. Segundo eles, deveriam ter sido estabelecidos prazos curtos e metas rígidas. Se as metas anunciadas pelo G-8 fossem cumpridas, o ritmo do aquecimento global reduziria o aumento da temperatura de cerca de 3 graus Celsius a cada 100 anos para 1 grau.
- Não conseguiríamos eliminar, mas poderíamos diminuir o ritmo do aquecimento - explicou o secretário do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e professor da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa.
O Globo, 10/07/2008, Ciência, p. 32
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.