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Seis indígenas Deni morreram por falta de assistência

Cimi-Brasília-DF
18 de mar de 2004

Seis indígenas do povo Deni morreram desde janeiro deste ano, três dos quais só no mês de março, nas aldeias Morada Nova e Boiador, localizadas na terra indígena Deni, na região do Juruá, município de Itamarati, no Sul do Amazonas. O Tuxaua Saravi Deni, da aldeia Morada Nova, denunciou a ocorrência ao administrador regional da Fundação Nacional do Índio, Benedito Rangel, em Manaus, e responsabiliza a Fundação Nacional de Saúde - Funasa, pela falta de assistência às comunidades.

Segundo relato do tuxaua Saravi, as vítimas foram um recém-nascido, no dia 2 de janeiro; Tashihari Deni, de 11 meses, em 5 de janeiro; Vaphari Deni, de dois meses, em 13 de fevereiro; Katuna, de 40 anos, em 1o de março; Umani, de três meses, no dia 4 de março e Dirarivi, de cinco meses, no dia 6 do mês em curso, todos acometidos por diarréia e vômito. As lideranças indígenas dizem que o atendimento médico nas aldeias vem sendo feito por meio de radiofonia.

"Estou muito revoltado com a situação do nosso povo. O pólo base não está funcionando de acordo com seu objetivo", protesta Saravi na carta enviada ao administrador da Funai. O tuxaua denuncia que não havia qualquer um dos membros da equipe de saúde e nem medicamentos no pólo base - que é a unidade de atendimento nas comunidades.

"Nós, agentes de saúde, estamos trabalhando sozinhos, sem remédio. Assim não pode continuar. Fico muito triste com a situação de saúde do meu povo. O trabalho de saúde começou bem, mas piorou nos últimos três anos", denuncia o tuxaua Saravi Deni.

O coordenador da União das Nações Indígenas de Tefé -Uni-Tefé, Zuza Cavalcante, que gerencia o Distrito Sanitário Especial Indígena do Médio Solimões, informou que a dificuldade no atendimento esbarra na falta de recursos. "Nós já prestamos conta das parcelas anteriores do montante previsto no convênio e aguardamos o repasse dos recursos. Há dois meses a Funasa não libera o dinheiro e até os nossos fornecedores não querem mais nos atender", disse. Zuza informou ainda que amanhã o coordenador de saúde da Uni-Tefé, Braz de Paula, e uma consultora da Funasa viajarão para o rio Xeruã - onde estão localizadas as aldeias Morada Nova e Boiador - para avaliar as condições de saúde e o atendimento aos Deni. Segundo Zuza uma equipe já saiu da cidade de Carauari para a região para prestar atendimento aos Deni.

O chefe do Distrito Sanitário do Médio Solimões, Hamilton Álvares da Fonseca, garantiu que os recursos devem ser repassados à Uni-Tefé até o final de março. Ele atribui a ausência da equipe junto às comunidades ao descontentamento pela falta de pagamento dos salários dos funcionários, que estariam atrasados há pelo menos 45 dias.

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