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A seca na região Amazônica

CB, Opinião, p. 11
Autor: MACHADO, José
17 de out de 2005

A seca na região Amazônica

José Machado
Economista, é diretor-presidente da Agência Nacional de Águas

As imagens transmitidas em rede nacional mostram uma situação trágica e, ao mesmo tempo, inusitada. Em plena Amazônia os rios estão secando e a população ribeirinha já sofre com a falta de água até mesmo para beber. Dados oficiais revelam que são 167 mil as pessoas afetadas em 914 comunidades. Os moradores da região na qual os rios são estradas têm que percorrer grandes distâncias para obter comida, medicamentos e combustíveis. Além disso, a grande mortandade de peixes compromete a qualidade da água, o que torna ainda mais dramático o quadro da seca.
Os efeitos da seca são acentuados em rios de grande e médio porte, como o Solimões, Madeira, Purus, Juruá, Iça e Jutaí, mas afeta também os pequenos cursos dágua da região. A seca prejudicou a navegação no rio Madeira, em Rondônia, principal afluente à direita do rio Amazonas. Através das águas do Madeira são escoadas as safras de soja, arroz, feijão e milho.
Para atender emergencialmente a população afetada, o governo federal, em conjunto com os governos estaduais, montou uma operação especial para a distribuição de 122 mil cestas básicas. Cerca de 20 aviões da Aeronáutica chegam a comunidades isoladas, socorrendo a população e levando mantimentos e combustíveis.
A dimensão da seca na Amazônia tem gerado debates. A maior seca registrada na região ocorreu em 1963 quando a estação do porto de Manaus observou o nível mais baixo — cota de 13,64 metros. Essa estação existe desde 1902 e na semana passada registrou a cota em 15,57 metros.
A Agência Nacional de Águas (ANA) opera uma rede de estações em todo o Brasil, em particular na região amazônica. Parte da rede é constituída por estações convencionais, como a instalada no porto de Manaus, nas quais a leitura é feita por um observador. As outras estações são telemétricas, ou seja, as variáveis hidrológicas passaram a ser obtidas por meio de sensores automáticos, armazenadas in loco nas Plataformas de Coletas de Dados (PCDs) e transmitidas remotamente. Nessas PCDs são medidos a quantidade de chuva, níveis de água dos rios, qualidade da água e sedimentos transportados.
A rede de monitoramento permite o acompanhamento da evolução dos níveis de água dos principais rios da região. Os dados da estação de Tabatinga, no Rio Amazonas, indicam queda acentuada do nível do Rio Solimões nessa cidade, que dificulta a navegação até o município de Tefé, fazendo com que, por motivos de segurança, a navegação seja limitada ao período diurno. Observando o histórico dos níveis observados na estação de Tabatinga, verifica-se que normalmente os níveis mínimos anuais ocorrem no mês de setembro e que, a partir de outubro, há uma recuperação dos níveis de água no trecho, o que ainda não ocorreu neste ano.
As informações sobre os dados coletados estão disponíveis no site da agência (www.ana.gov.br). Até o final do ano, a agência colocará no ar nova página de consulta aos dados telemétricos, o que permitirá aos usuários visualizar e gravar os dados históricos das estações, gráficos, mapas e informações gerais.

CB, 17/10/2005, Opinião, p. 11

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