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Seca fecha 600 escolas no Amazonas

OESP, Nacional, p.A13
19 de out de 2005

Seca fecha 600 escolas no Amazonas Sem ´canoas escolares´, alunos de 914 comunidades atingidas pela estiagem estão sem aula e calendário escolar terá de ser revisto
Liege Albuquerque
Pelo menos 600 escolas espalhadas pelas 914 comunidades em estado de calamidade pública por conta da estiagem estão fechadas e vão atrasar o ano letivo, previsto para terminar no dia 21 de dezembro. O levantamento é da equipe SOS Interior, que coordena as ações paliativas de entrega de medicamentos, água e mantimentos nas comunidades isoladas. 'Os calendários escolares terão de ser revistos e repostos caso a caso', destacou o secretário de governo e coordenador da equipe, José Melo.
Em Manaquiri, a 65 quilômetros de Manaus, cerca de 400 crianças estão sem aulas desde o fim de setembro. Em Manacapuru, a 84 quilômetros, aproximadamente 2,5 mil alunos também estão fora da escola pelo mesmo período.
Em Silves, a 200 quilômetros da capital, a Secretaria Municipal de Educação autorizou 18 crianças a dormir no prédio da escola. Sem isso elas não teriam como assistir às aulas. De acordo com a socióloga Maria do Perpétuo Socorro Chaves, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), como os ônibus escolares dos ribeirinhos são 'canoas escolares', o transporte é impossível na maioria das comunidades. 'A essas crianças cabe ficar em casa, mudar a rotina da casa e solicitar, além de atenção, a comida que comiam na merenda da escola e que faz falta em casa.'
PREVENÇÃO
O diretor do setor de Resposta a Desastres da Secretaria Nacional de Defesa Civil, José Luiz D'Ávila, que está em Manaus desde sexta-feira, afirmou que nos próximos dias encaminhará um documento ao governador Eduardo Braga com um a balanço da situação e sugestões para enfrentar estiagens prolongadas no futuro.
'Três ações simples poderiam prevenir as dificuldades que os ribeirinhos enfrentam', disse. Uma delas seria prover as comunidades mais isoladas com pequenas centrais elétricas ou placas de captação de luz solar.
Outra ação aconselhável seria aumentar o período do seguro defeso (seguro dado aos pescadores durante o período de reprodução de peixes, que é de quatro meses) e ainda criar um seguro-safra, para o pequeno agricultor prejudicado pela estiagem. A terceira medida seria um mutirão abrir poços artesianos nessas comunidades e ensinar o ribeirinho a aprofundar os poços existentes.
'Boa parte tem um poço em casa, mas, por falta de instrução acaba cavando pouco e a água é enlameada', disse. 'Precisamos ensinar a aprofundar esses cacimbões para encontrar água mais pura.' ?

OESP, 19/10/2005, p. A13

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