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Seca dá sinais de diminuição

CB, Brasil, p. 9
21 de out de 2005

Seca dá sinais de diminuição
Nível do Solimões, um dos principais rios da região, começa a subir. Mas, em Manaus, governo orienta a população a reduzir consumo de água para evitar desabastecimento. No Pará, socorro começa a chegar

A severa seca no Amazonas pode estar chegando ao fim. O nível do Rio Solimões em Tabatinga (AM), na fronteira com o Peru e a Colômbia, já começou a subir, mas o porto da cidade deverá voltar a funcionar em 15 dias. "De segunda para terça-feira, o rio subiu 0,31 centímetros. Mas ele ainda estava em 1,91 metros, cerca de 5 metros abaixo do que é o normal para esta época do ano", afirmou Jaime Azevedo da Silva, conferente de carga da Sociedade de Navegação, Portos e Hidrovias do Amazonas. Ele é uma das pessoas que medem diariamente o nível dos rios da bacia Amazônica. A cada três meses, os dados são reunidos e tabulados pelos técnicos do Departamento de Hidrologia do Serviço Geológico do Brasil (CPRM).
Tabatinga é um dos 61 municípios do interior do Amazonas em estado de calamidade pública, por causa da seca forte e prolongada que atinge o estado. No dia 16 de setembro, a prefeitura teve que interditar o porto flutuante da cidade, que chegou a ficar em terra firme e foi transferido para outro local. A estiagem também atinge o estado do Pará.
Apesar das chuvas, Manaus e todo o leste do estado sofrem a estiagem mais severa dos últimos 103 anos, segundo o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Carlos Nobre. De acordo com ele, a região oeste também apresenta os menores índices pluviométricos dos últimos 60 anos. "Em relação ao Rio Negro, em Manaus, esta é uma seca que só tem paralelo nos últimos 103 anos. Ou seja, desde 1902, quando iniciamos registros de nível do Rio Negro. Já no oeste da Amazônia, esta é a estiagem mais severa dos últimos 50, 60 anos", estima.
Durante o período chuvoso na região, que estende-se de dezembro a março, as chuvas apresentaram-se com índices de até 350 mm menores que a média usual, o que contribuiu para que o nível dos rios não atingisse o ideal para suportar o período seco. Além disso, as queimadas podem alterar a formação de chuva no sul da Amazônia, e possivelmente adiar o inicio da estação chuvosa.
Racionamento
Em Manaus, a população foi orientada pelo governo do estado a economizar água para não correr o risco de racionamento, diante da possibilidade de a seca prolongar-se por mais tempo do que o esperado. No Pará, o rio Tapajós, um dos principais do oeste do estado, está 7 metros abaixo do nível normal. Com isso, a navegação está totalmente comprometida. Percursos que eram feitos em 5 horas, levam o dobro do tempo agora para serem feitos.
A região do Alto Solimões, na fronteira com o Peru e a Colômbia, já recebeu 85 toneladas de alimentos e remédios do plano emergencial de socorro às vítimas da estiagem. O material foi transportado em dois aviões modelo Hércules, da Força Aérea Brasileira (FAB), que fizeram cinco viagens de Manaus até Tabatinga. Cinqüenta soldados do 8o Batalhão de Infantaria da Selva trabalharam no descarregamento dos mantimentos e no transporte até os armazéns das prefeituras de Tabatinga, Atalaia do Norte e Benjamin Constant.
"Na fronteira não se faz nada sem parceria. Agora, as prefeituras são responsáveis por distribuir o material para as comunidades isoladas", explicou o comandante do Comando de Fronteira Solimões, tenente-coronel Jorge Fernando de Almeida.
Alimentos
Os municípios mais atingidos pela estiagem no Pará receberam ontem a primeira remessa de ajuda. Foram entregues em Santarém, no oeste do estado, trinta toneladas de alimentos, 50 mil frascos de hipoclorito e 5 mil envelopes de soro oral. Está é a primeira remessa da ajuda estadual às famílias necessitadas nos municípios do Baixo Amazonas.
No início da semana, 13 técnicos da Defesa Civil chegaram às cidades mais atingidas com a missão de fazer um levantamento completo da situação em toda a região. A partir deste relato, o governo irá decidir as próximas ações. A ajuda deve ganhar o reforço de helicópteros de carga das Forças Armadas.

Pernambuco espera ajuda
Trinta e oito municípios de Pernambuco que decretaram situação de emergência por causa da estiagem que atinge a região do sertão, desde agosto, esperam contar com ajuda financeira do governo federal. Entre as cidades mais atingidas estão: Afrânio, Dormentes, Flores, Lagoa Grande, Ouricuri, Salgueiro e Santa Filomena.
Segundo o coronel Marcos Antônio da Silveira Alves, da Coordenadoria de Defesa Civil de Pernambuco, alguns decretos, que deixaram de ser homologados pelo governo estadual por falta de documentação exigida pela Secretaria Nacional de Defesa Civil, foram devolvidos para que os prefeitos reformulassem os documentos, observando os critérios legais.
Segundo a Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape), a situação é crítica em 24 cidades no estado. Falta água para o consumo humano em Araripina, Bodocó, Santa Cruz, Parnamirim, Exu, Afrânio e Dormentes. Em Petrolina, no sertão do São Francisco, a prefeitura calcula que 33 mil moradores tenham sido atingidos pela estiagem.

CB, 21/10/2005, Brasil, p. 9

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