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Autor: Valéria Araújo
16 de Mar de 2012
Há 10 viaturas paradas e, sem ambulância, índios acamados são transportados em carros comuns
A saúde indígena está com a frota sucateada. A denúncia é do presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena de Mato Grosso do Sul, Fernando da Silva Souza, que também é membro do Conselho Nacional de Saúde.
Segundo ele, das 21 viaturas disponibilizadas em Dourados, 10 estão paradas. Destas, 5 estão em oficinas mecânicas e outras 5 estão totalmente em desuso, no pátio da Secretaria Especial de Saúde Indígena em Dourados.
O problema, segundo Fernando, é que as 11 viaturas em funcionamento estão desgastadas e não atendem a demanda de 14 mil índios situados nas aldeias Bororó, Jaguapiru, Panambizinho e na região do Porto Cambira.
A preocupação neste caso é considerada grave pelo presidente, uma vez que a população indígena está ficando sem respaldo na área de saúde. Por causa da falta de transporte, há quase um mês a equipe da saúde mental não estaria conseguindo se deslocar até a aldeia. O mesmo ocorre com o serviço social e com equipes de saúde.
"Alguns grupos precisam pegar carona com outros para se deslocar até a reserva. Em outras situações, um grupo vai para a aldeia e o carro volta para buscar outro grupo. O serviço se torna demorado", destaca.
O presidente também alerta para outro grave problema. As viaturas que transportam pacientes, não são esterealizadas. "Não há serviço de lavagem. Por isto é comum encontrar sangue e vísceras humanas nos carros, gerando riscos de infecções diversas", denuncia.
Fernando também alerta que é necessário 4 viaturas de plantão ao invés de apenas duas como existe hoje para atender os pacientes que precisam se deslocar até a cidade. Ele lembra ainda que praticamente 100% dos agentes que atuam na Reserva não dispõem de material completo como as mochilas de materiais e bicicletas.
"Muitos atuam com veículos próprios e materiais comprados por eles via 'vaquinha'", destaca.
Em relação as viaturas, o presidente diz que a comunidade aguarda a prefeitura de Dourados comprar duas ambulâncias e 10 veículos que serão adquiridos com os recursos na ordem de R$ 1,8 milhão, que foram repassados pelo Fundo Nacional de Saúde ao longo de, pelo menos, três anos (2009, 2010 e 2011).
O recurso é destinado ao apoio à saúde indígena. No ano passado o Ministério Público Federal abriu inquérito para saber porque, apesar dos recursos, há crise na saúde indígena. Segundo o presidente, na última sexta-feira, a secretária de Saúde de Dourados, Silvia Bosso, se reuniu com a comunidade indígena e informou que os processos para a aquisição de equipamentos para a Saúde e duas ambulâncias estavam em fase final de aquisição. O presidente diz que o processo burocrático está sendo demorado, mas é a única alternativa no momento para a comunidade.
SESAI
O presidente da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), Nelson Olazar, explica que a Secretaria está com processos em andamento para a aquisição de materiais, equipamentos e reformas em postos de saúde. Em relação as viaturas, disse que a Sesai não está medindo esforços para consertar os veículos e que o processo está sendo rápido. Das 10 que estão paradas, cinco já estarão rodando, a partir da próxima semana, quando saem das oficinas. Segundo Olazar, é constante o processo de quebra e manutenção das viaturas.
Em relação a lavagem das viaturas que transportam pacientes, ele afirma que já encaminhou solicitação para a Advocacia Geral da União para obter resposta sobre a possibilidade da contratação deste tipo de empresa. O presidente diz que já mapeou as necessidades de todas as aldeias de Dourados e que os processos de aquisição destes subsídios já estão em andamento.
O Progresso encaminhou solicitação para a Assessoria de Comunicação da Prefeitura para eventuais esclarecimentos sobre a previsão da entrega da nova frota para a Reserva, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.
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