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Satélites 'moribundos' deixam Amazônia em estado de alerta

D24/AM - www.d24am.com
29 de Set de 2010

O monitoramento da Amazônia pode ser comprometido no próxiMo ano devido a problemas técnicos com os dois satélites que geram mapas e calculam as taxas de desmate na região. Tanto o satélite americano Landsat-5 quanto o indiano Resourcesat-1 (que seria a alternativa imediata ao primeiro) são usados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) com imagens para chegar aos dados.

Gilberto Câmara, diretor do Inpe, alerta que "a situação é real, e é preocupante". Segundo ele, ambos os satélites estão cumprindo hora extra no espaço, com prazo de validade operacional expirado há vários anos. Se pararem de funcionar antes de agosto de 2011, o Inpe será obrigado a comprar imagens de satélites comerciais para fazer o Prodes do ano que vem, com custos póximos a US$ 2 milhões.

O Prodes - O Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite, desenvolvido pelo Inpe, calcula a taxa anual de desmatamento comparando imagens selecionadas do período julho-agosto de um ano a julho-agosto do ano anterior, preferencialmente. Isso porque os satélites não enxergam através de nuvens, e esses são tipicamente os meses de menor nebulosidade na Amazônia.

Câmara diz que as imagens do Landsat-5 e do Resourcesat-1 são gratuitas, um fator essencial para a continuidade dos trabalhos no Inpe. Calcular o desmatamento usando imagens comerciais, segundo o diretor, custaria cerca de US$ 2 milhões só para o Prodes, sem contar os outros programas de monitoramento, como Deter e Degrad, que também dependem desses satélites para qualificação de dados. "Se isso acontecer, porém, será só por um ano", ameniza o diretor do Inpe.

A expectativa de Câmara para cumprir esse prazo está no lançamento do novo Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS-3), previsto para daqui a um ano - mas que já foi adiado diversas vezes, de 2008 para 2009, de 2009 para 2010, e agora, para outubro de 2011. Equipado com quatro câmeras de diferentes resoluções (duas delas melhores que a do Landsat), o CBERS-3 terá tecnologia suficiente para servir tanto o Prodes quanto o Deter.

Porém, segundo o diretor do Inpe, se o CBERS-3 não for lançado ou não funcionar como previsto, o País continuará a depender de dois satélites moribundos para calcular o desmatamento na Amazônia. "Será um ano crítico", reconhece Câmara.

Ele se refere às incertezas quanto ao satéllite Resourcesat-2, substituto do Resourcesat-1, que deve ser lançado ainda este ano. A questão é que não há garantia de acesso livre às suas imagens pelo Brasil. E o próximo Landsat só deverá chegar ao espaço em 2012, deixando o CBERS-3 como única opção "garantida" de imagens gratuitas para o Prodes em 2011.

Também está em construção no Inpe o satélite Amazônia-1, equipado com uma câmera de 40 metros de resolução e com lançamento previsto para 2012. Juntos, o CBERS-3 e o Amazônia-1 darão ao Inpe a capacidade de obter imagens de toda a Amazônia, em alta resolução, a cada três dias. Uma capacidade vital para a continuidade do programa Deter, à medida que o desmatamento se torna cada vez mais pulverizado.

As imagens usadas atualmente, do sensor Modis (com resolução de 250 metros), só permitem detectar desmates maiores do que 25 hectares. E com precisão mesmo, só acima de 50 hectares. Cientes disso, os desmatadores mudaram de estratégia. Em 2002, os desmates menores do que 50 hectares eram cerca de 30% do total. Agora, passam de 70%.

"Estão matando o Deter", alerta o coordenador do Programa Amazônia do Inpe, Dalton Valeriano. "Precisamos nos adaptar a essa nova realidade". Segundo ele, a partir de 2011, o Inpe também começará a usar imagens de radar do satélite japonês Alos, que permite enxergar através das nuvens. O Ibama já faz isso desde 2008, por meio de uma parceria com a Agência de Exploração Aeroespacial Japonesa, para complementar as imagens do Deter.

"Só olhamos o que está debaixo de nuvens, para não perder tempo refazendo o trabalho do Inpe", diz o coordenador de Monitoramento Ambiental do Ibama, George Porto Ferreira.

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