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Satélites detectam focos de incêndio em 53 reservas indígenas do país

O Globo - www.oglobo.globo.com
Autor: João Sorima Neto
12 de ago de 2010

BRASÍLIA, SÃO PAULO - Os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registram 13.823 focos de queimadas em todo o país nesta quinta-feira. O fogo atinge áreas de floresta, reservas indígenas, áreas de nascentes, parques estaduais. A maioria dos focos está concentrada nas regiões Norte e Centro-Oeste. Em Mato Grosso, há 4.284 focos de queimadas e pelo menos 14 reservas indígenas estão entre eles. No norte do estado, o município de Marcelândia foi atingido por um incêndio que destruiu serrarias e pelo menos 100 casas.

No Pará, são 3.836 focos de calor em todo o estado. O Tocantins tem 1.434 focos, o Maranhão, 609, a Bahia, 598, e Rondônia, 539. Em Goiás e no Distrito Federal, onde a umidade relativa do ar está abaixo dos 25%, o Inpe registra 644 e 27 focos de queimadas, respectivamente.

De acordo com o Inpe, pelo menos 53 reservas indígenas do país também estão sendo atingidas por focos de incêndios. O caso mais preocupante é o da aldeia indígena Moigu, da etnia Ikpeng no Parque Nacional do Xingu. O fogo começou na semana passada e ainda não foi controlado. Cerca de 380 famílias moram na aldeia Moigu que fica próximo ao posto Pavuru, no médio norte do Xingu, município de Feliz Natal. De acordo com informações do índio Kumaré Txicão, o incêndio teria começado após um apicultor fazer a colheita do mel. As chamas atingiram os galhos das árvores que estão secas, iniciando o incêndio. Com o vento forte e o tempo seco, o fogo alastrou rapidamente e já queimou mais de sete quilômetros da mata em torno da aldeia.

- O fogo avançou muito rapidamente e já está a dois quilômetros da aldeia', disse o índio em entrevista ao site da TV Centro América, afiliada da TV Globo.

A Funai informou que tomou conhecimento do problema no dia 10, quando fez contato com o Prevfogo, um órgão ligado ao Ibama. Segundo a Funai, 14 brigadistas estão sendo deslocados para a aldeia. Eles farão uma parte do percurso de carro e depois usarão barcos para chegar a aldeia. De acordo com a Funai o fogo ainda não chegou até a aldeia. A Funai informou que este é o caso mais preocupante de focos de incêndio em reservas indígenas.

De acordo com o Inpe, há focos de incêndios em 14 reservas indígenas do Mato Grosso.

Em Marcelândia, que foi alvo de um grande incêndio nesta quarta-feira e está em emergência, cerca de 100 casas e 16 empresas foram consumidas pelo fogo. Segundo a Prefeitura da cidade, 80% do distrito industrial do município foi destruído. A indústria madeireira é a base da economia da cidade.

Segundo a Defesa Civil, a situação no local já está sob controle, mas ainda há focos de incêndio em áreas de floresta e pastagens próximas à cidade. O fogo teria começado em uma área próxima de madeireiras da cidade, uma parte das chamas avançou para a área rural e a outra invadiu as indústrias de madeira e também atingiu as casas.

Moradores, funcionários e proprietários trabalharam durante todo o dia no combate ao incêndio. Bombeiros de Sinop foram enviados, além de um helicóptero do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e duas aeronaves. Uma viatura da Defesa Civil que também estava na região foi deslocada com abafadores, bombas costais e produtos químicos de combate a incêndio.

No município de Nova Lacerda, no Mato Grosso, há um incêndio de grandes proporções ao longo da Linha de transmissão, localizada aproximadamente 150 quilômetros da sede do município. O fogo também está em monitoramento. A vegetação está bastante seca, a umidade relativa do ar muito baixa e os ventos moderados, o que dificulta o combate.

A baixa umidade do ar continuou nesta quinta-feira em 12 estados do país, abaixo de 30%, segundo o Inpe. Não há previsão de chuva.

http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2010/08/12/satelites-detectam-focos…

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