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Satélite vigia corte de árvore em SP

OESP, Metrópole, p. C3
04 de Mar de 2008

Satélite vigia corte de árvore em SP
Prefeitura vai usar imagens para multar desmatamento irregular

Rodrigo Brancatelli

Em tempos de vigilância eletrônica, a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente também quer ter o seu próprio projeto de "Big Brother" para disciplinar a expansão imobiliária de São Paulo e fiscalizar a derrubada ilegal de árvores. A diferença é que as câmeras estarão a quase 900 quilômetros de altitude, em órbita terrestre.

Neste mês, a Prefeitura irá licitar a compra de imagens aéreas de satélite para mapear a cobertura vegetal dos 1.523 km² da cidade. De três em três meses, as fotografias serão atualizadas com as mudanças ocorridas em bairros como Jardins, Pacaembu, Alto de Pinheiros, Moema, Lapa, Vila Madalena e áreas de proteção ambiental.

Ou seja, as imagens irão denunciar quem derrubou ou podou árvores sem autorização da Prefeitura. A punição será aplicada com base na Lei de Crimes Ambientais - a multa varia de R$ 10 mil a R$ 500 mil, dependendo da espécie, valor ecológico e localização. "Queremos fotos com nitidez de 1 m²", diz o secretário-adjunto da secretaria, Hélio Neves. "Teremos imagens quarteirão por quarteirão, árvore por árvore."

Atualmente, segundo a Prefeitura, quatro satélites poderiam fazer o trabalho com tal nitidez. O Parque do Ibirapuera, por exemplo, com 1,5 milhão de m², teria cerca de 1,5 milhão de imagens que mostrariam sua cobertura vegetal. Para efeito de comparação, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), responsável por fiscalizar a Amazônia, tem um sistema de imagens por satélite menos potente. As imagens recebidas mensalmente pelo órgão têm resolução espacial de 250 metros - com esse sistema, chamado de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), só é possível detectar desmatamentos cuja área seja maior do que 25 hectares.

O governo calcula gastar R$ 1 milhão por um ano com esse serviço. Até o meio da semana, o projeto será colocado para apreciação pública. O investimento pode ser compensado com o aumento de multas - em 2007, a secretaria recebeu 191 denúncias e arrecadou apenas R$ 21.449,58 com multas.

"Com as fotos, as equipes de plantio da secretaria poderão saber em quais bairros é necessário concentrar esforços e plantar novas árvores", diz Neves. Mas o principal uso das fotografias aéreas será vigiar a expansão imobiliária. Tanto que a secretaria prepara um concurso para fiscais, o primeiro específico para essa carreira no órgão. Serão 190 vagas para agentes que irão cobrar diretamente das empresas e moradores.

"Várias construtoras entram com pedido de edificação e dizem que não tem nenhuma árvore no terreno", diz Neves. "E aí elas derrubam a vegetação, sem a gente saber. Com as fotos, isso não irá mais ocorrer. E analisaremos as bordas do Município, onde há destruição de mata nativa."

OESP, 04/03/2008, Metrópole, p. C3

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