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Satélite vai rastrear extração de madeira na região amazônica

Tribuna de Imprensa-Rio de Janeiro-RJ
15 de Jan de 2003

A idéia de usar o monitoramento por satélite para acompanhar a extração madeireira na região amazônica, defendida pelo presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marcus Luiz Barroso Barros, deve ser testada na prática em agosto.

Naquele mês as quatro madeireiras com atuação nos Estados do Amazonas e Pará começam a participar de um projeto-piloto conduzido pelo programa Pró-Manejo, do Ibama e PPG-7. Se tudo correr como planejado, técnicos esperam que, a partir do próximo ano, toda as empresas passem a ser obrigadas a atuar com equipamentos que permitam o acompanhamento à distância.

"O sistema, por si só, não vai impedir a extração ilegal de madeira", admite a assessora técnica do Pró-Manejo, Cristina Galvão Alves. Ela acrescenta, no entanto, que o novo método será um recurso importante para detectar indícios de irregularidades cometidas pelas empresas. Além disso, o sistema será útil para acompanhar o trabalho de fiscalização. "Ficará mais fácil perceber se houve falhas ou omissões dos fiscais", garante.

O projeto vai abastecer centros informatizados com dados sobre as várias áreas de manejo florestal. Nos arquivos, constará, por exemplo, a área em que a extração será feita, o volume e a espécie da madeira extraída. Também serão registrados os percursos que o caminhão de transporte terá de fazer até chegar nas serrarias ou laminarias.

Ao embarcarcar no caminhão, o motorista terá de registrar em um computador de bordo várias informações solicitadas. Isso substituirá as guias de autorização de transportes florestais. "O novo sistema dará muito mais subsídios para o fiscal", defende Cristina.

Além do computador de bordo, o caminhão terá de ser equipado com uma antena, que permite o rastreamento por satélite. O problema está no custo desse trabalho: as empresas terão de gastar cerca de R$ 10 mil a R$ 12 mil pelo novo equipamento.

"O manejo é uma atividade que pode durar 20, 30 anos. É um investimento importante, mas certamente haverá financiamentos. Sem falar que as guias, que custam R$ 10 por viagem, não precisarão mais ser emitidas", afirma Cristina.

O sistema de rastreamento vai exigir que fiscais recebam um treinamento específico. Cristina informa que iniciativa parecida foi colocada em prática nos Estados Unidos, para acompanhar o transporte de peixes. "Há bons resultados com o roubo de cargas, também. É um investimento importante, mas sem dúvida, teremos um avanço nesta área".

SP terá venda de madeira com selo de origem
CAMPINAS (São Paulo) - Uma das empresas integrantes do Grupo de Compradores de Produtos Florestais Certificados inaugura na amanhã, em São Paulo, a primeira loja da América Latina de madeira natural da Amazônia, com certificação de origem e de extração racional. A loja, Ecoleo, pertence ao grupo Leo Madeiras, que existe desde 1943 e tem 28 lojas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.

A certificação é do Conselho de Manejo Florestal (Forest Stewardship Council ou FSC) e inclui padrões sociais e econômicos de sustentabilidade, além dos ambientais. O objetivo da nova loja é facilitar as transações com pequenas quantidades de madeira para consumidores mais conscientes do setor moveleiro, como arquitetos, designers e artesãos, que até então precisavam ir buscar o produto certificado na Amazônia ou trabalhar sob encomenda.

"Ao apostar neste segmento, uma empresa grande como a Leo Madeiras mostra que este é um mercado promissor e oferece uma opção ao consumidor paulista, que quer ter uma janela ou uma mesa feita com madeira certificada", diz Garo Batmanian, representante do WWF-Brasil na Câmara Ambiental do FSC. "E é importante ressaltar que a empresa Leo Madeiras tem o certificado de cadeia de custódia, quer dizer, ela tem como garantir a seus consumidores a origem da madeira que vende, porque toda a cadeia é monitorada até a retirada da matéria-prima, feita de forma ambientalmente correta".

José Luiz Lopes Pinto, responsável pelo projeto de implantação da Ecoleo, esclarece, "optamos, neste momento, por trabalhar com uma cadeia de custódia não exclusiva, porque ainda não temos fornecedores suficientes para garantir 100% de madeira certificada em nossa loja. Mas o objetivo é chegar a vender exclusivamente madeira certificada".

Segundo ele, cerca de 80% do estoque tem selo verde. São 15 espécies amazônicas diferentes, incluindo madeiras de lei de terra firme, como cedro, sucupira e cumaru, e chapas e laminados de amapá, louro vermelho e curupixá, além dos produtos industrializados de grandes empresas, com madeira de reflorestamentos, também com certificação.

O investimento na nova loja foi de R$ 500 mil, com expectativa de retorno em dois anos. Atualmente a empresa tem uma participação de cerca de 40% do mercado paulista de madeiras para móveis e marcenaria. A decisão de entrar para o Grupo dos Compradores de Produtos Florestais Certificados, em setembro de 2002, faz parte de uma estratégia de desenvolvimento do nicho de mercado de madeira certificada. "Queremos mostrar que a venda de madeira extraída da forma ambientalmente correta pode ser economicamente viável", acrescenta Lopes Pinto.

Para ele, o mercado ainda é muito novo e o trabalho de divulgação deve incluir esclarecimentos sobre o diferencial de preço do produto certificado. Em média, a madeira com selo verde custa 20% mais do que o produto clandestino ou irregular. "O consumidor precisa saber que não está pagando a mais apenas por um selo verde", afirma. "Está pagando por um processo controlado, documentado, que envolve a extração não predatória, feita por trabalhadores registrados em carteira, com equipamentos de segurança, sobre a qual incide tributação".

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