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Satelite monitora focos de queimada no Amazonas

A Critica, Cidades, p.C7
26 de Fev de 2005

Satélite monitora focos de queimada no Amazonas
Por Geanne Fernandes
Especial para A Crítica
Presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas, Lúcio Rabelo afirma que o desmatamento no Estado sofreu uma redução significativa desde a implantação do sistema de monitoramento por satélite
0 Brasil é um dos poucos países do mundo a dispor de um sistema de monitoramento de queimadas e essa conquista também abrange o Amazonas. Feito por meio de imagens de satélites, o monitoramento é fruto de uma colaboração científica multiinstitucional, envolvendo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Sistema de Proteção Ambiental da Amazônia (Sipam) e o Núcleo de Monitoramento Ambiental NMA/Embrapa. "Com a reprodução de mapas, podemos observar quais áreas estão apresentando focos de calor e possuem pressão de desmatamento e a partir daí tomamos as providências", explica o presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), Lúcio Rabelo, 44.
De acordo com Rabelo, com a implantação do monitoramento, há dois anos, houve uma redução significativa do desmatamento no Estado. A política adotada, segundo o presidente do Ipaam, tem se mostrado eficaz no combate ao avanço do desmatamento. "As queimadas ocorrem em função da pecuária, principalmente na região sul do Estado, onde está localizado o chamado arco do desmatamento, que abrange Humaitá e Boca do Acre, um dos lugares com maior incidência de queimadas. Mesmo assim, nós vamos insistir nesse projeto, porque é uma coisa que está dando certo", concluiu, referindo-se ao programa.
0 grande passo para 2005, de acordo com Lúcio, é o aumento do apoio para a atividade florestal no Amazonas. "Pretendemos valorizar a prática da atividade extrativista sem deixar de manter a floresta em pé", finalizou.

ZONA FRANCA VERDE Além de estarem associadas ao desmatamento e a incêncidos florestais acidentais, as queimadas geralmente estão relacionadas a práticas agrícolas e ocorrem principalmente nas regiões sul e sudeste do Amazonas. Por isso, ressalta Rabelo, o Programa Zona Franca Verde, do Governo do Estado, também tem papel importante no combate à destruição da Mata Amazônica. 0 projeto de desenvolvimento sustentável e de conservação das florestas é uma estratégia que vem colhendo bons resultados. "0 programa tem como finalidade a criação de áreas de conservação e proteção do nosso patrimônio natural. Valorizar e usufruir das riquezas que a nossa floresta oferece é mais inteligente que destruí-la por inteiro", ressalta.

Em números
98% É o volume de área verde preservada no Amazonas, de acordo com o Inpe. Esse resultado se deve a vários fatores, como a existência do Pólo Industrial de Manaus, que concentrou o desenvolvimento econômico na capital. Por outro lado, ações do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Sustentável (SDS) e do lpaam, têm garantido a manutenção da área preservada. Uma dessas ações foi a criação, em janeiro, de um conjunto de áreas protegidas na fronteira com o Estado do Mato Grosso, o que deve inibira expansão das queimadas no Amazonas.

Destaque
O impacto ambiental das queimadas preocupa a sociedade em geral, pois elas afetam diretamente a biologia dos solos, alterando a qualidade do arem proporções inimagináveis. Também interferem na vegetação, na biodiversidade e na saúde humana. Indiretamente, as queimadas podem comprometer até a qualidade dos recursos hídricos de superfície.

As queimadas
Ressecam o solo e acabam provocando o surgimento da erosão, que enche de terra os rios e os lagos; Provocam perda de produtividade do solo;
Quando se queima para plantar, a primeira safra geralmente é boa. A partir da segunda os problemas começam a aparecer,
Provocam a destruição da cobertura vegetal, que amortece a força da chuva através das árvores;
Devido a isso, a água carrega a terra fértil para os rios e abre buracos no solo;
Provocam maiores despesas para o produtor já que acaba com a composição do solo. Queimando, o solo passa a exigi grande quantidade de adubo;
Não permitem que a chuva entre no solo. Com isso, deixa de abastecer os lençóis subterrâneos de água, responsáveis pela alimentação de nascentes, rios, cisternas e poços;
Favorecem os ataques de pragas e doenças que causam muitos problemas às plantações;
Acabam com os insetos, as aves e os pequenos animais que fazem parte do ciclo da natureza;
A temperatura do solo queimado chega a até a 650 graus centígrados. Não há vida que resista.
É recomendável não jogar cigarro aceso ou deixar brasas na beira das estradas.
No início, o fogo é fácil de controlar na área verde. Ao ver fumaça, é preciso apagaras chamas, com um galho.
Se não for possível, recomenda-se buscar ajuda ou avisar as autoridades.

A Crítica, 26/02/2005, C7

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