VOLTAR

Sapos e cobras podem prever terremotos

O Globo, Ciência, p. 38
02 de Dez de 2011

Sapos e cobras podem prever terremotos
Causa é reação química sob a terra

Sapos e cobras não são videntes, mas podem prever tremores da terra. Há dois anos, a suposta habilidade premonitória de alguns anfíbios, répteis e peixes para detectar terremotos era estudada por Rachel Grant, da inglesa Open University. Agora, suas conclusões foram corroboradas pela Nasa em um novo estudo, assinado pela bióloga e Friedemann Freund, um geofísico da agência.
Segundo eles, certas espécies seriam capazes de sentir, em águas subterrâneas, reações químicas que precedem os sismos. E as alterações não lhes agradam.
Dois anos atrás, Rachel estudava anfíbios em uma lagoa de L'Aquila, na Itália, quando testemunhou uma migração repentina dos sapos. Dos 96 que ali viviam - segundo sua própria contagem - não sobrou nenhum.
Dias depois, a região foi balançada por um terremoto.
Em seu novo trabalho, publicado pela nova edição da "International Journal of Environmental Research and Public Health", Rachel descreve como segmentos sob pressão na crosta terrestre, que serão afetados pelo sismo, podem liberar partículas que reagem quimicamente com a água subterrânea. Esta liberação seria sentida pelos animais e provocaria sua dispersão.
Rachel viu in loco um exemplo há dois anos, mas, além daquele, haveria outros casos. Também em 2009, horas após um grande terremoto em San Diego, na Califórnia, moradores encontraram dezenas de lulas na praia. Trata-se de uma espécie que, normalmente, é encontrada a mais de 200 metros de profundidade.
Em 1975, na cidade chinesa de Haicheng, muitas pessoas assustaram-se com a saída em massa de cobras de suas tocas. A migração teria ocorrido um mês antes de um sismo, e durante o inverno, estação na qual a espécie costuma hibernar. Deixar seu abrigo seria como um suicídio para aqueles répteis, devido à baixa temperatura que encontrariam ao ar livre.
A Nasa se perguntou se o estudo de Rachel teria algo a ver com o que a agência conduzia. Os cientistas americanos pesquisavam as mudanças químicas provocadas por trechos da crosta sob pressão extrema. Agora, assegura Freund, a conexão entre os eventos estaria comprovada:
- Quando entendermos como o comportamento dos animais e outros indicativos estão conectados, e se virmos quatro ou cinco deles apontando para a mesma direção, é um sinal de que algo está prestes a acontecer.

O Globo, 02/12/2011, Ciência, p. 38

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.