VOLTAR

"São os mais velhos que ensinam como viver em nosso território"

Medium https://medium.com/
28 de set de 2018

Em uma ilha no Rio Negro a montante da cidade de São Gabriel da Cachoeira, a comunidade de Duraka acolheu o I Encontro Geral dos Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (Aimas) da bacia do rio Negro. Foram 70 pessoas das etnias Baniwa, Bará, Barasana, Baré, Curipaco, Desana, Itano, Lanawa, Makuna, Piratapuya, Tariana, Tatuyo, Tukano e Tuyuka, que chegaram de diferentes regiões do noroeste amazônico, representando um total de vinte associações de base da rede que compõe a FOIRN e quatro associações (AATIs, associações de autoridades tradicionais indígenas) colombianas.

O principal objetivo do Encontro foi compartilhar experiências, conhecimentos e modos de fazer o manejo ambiental visando a governança ambiental e territorial da bacia do Rio Negro, do Rio Apapóris e seu afluente Pirá-Paraná (bacia Japurá-Caquetá). A expressiva participação dos colombianos vindos também do Alto Içana e Alto Tiquié permitiu um enfoque transfronteiriço sobre este macro-território, manejado há muitas gerações por povos indígenas das famílias linguísticas Tukano Oriental e Aruak. Além dos mais de cinquenta pesquisadores indígenas, entre Aimas e investigadores indígenas colombianos, estiveram presentes também a equipe do ISA, o presidente da FOIRN, Marivelton Barroso, e convidados de outras instituições.

Os pesquisadores indígenas seguem produzindo conhecimentos sobre manejo nos lados brasileiro e colombiano da fronteira, envolvidos tanto com suas atividades cotidianas como agricultores, pescadores, coletores, pais e mães de família, como também se dedicando à observação, registro, aprendizados com os mais velhos, conversas e iniciativas comunitárias relacionadas a uma agenda de pesquisas colaborativas. Esse programa de pesquisas busca fortalecer os conhecimentos locais, ao mesmo tempo em que contribui para a governança ambiental e territorial.

Edgar Lima, Tuyuka do Alto Tiquié, questionava-se: "Porque nós pesquisamos? Muitas vezes dizemos que é porque perdemos nossa cultura. Por que perdemos nossa cultura? Porque estão perdendo o respeito aos conhecedores. Não nos comunicamos sempre com os conhecedores, deixamos eles de lado. Perdemos nossa cultura quando entramos a estudar nos colégios. Aprendíamos com os mais velhos, eles que ensinavam como vivíamos os indígenas em nosso território e como cuidar dele, é aí que entra nosso governo próprio. Se você não respeita o conhecedor, você não está respeitando seu território; se você não consulta o conhecedor, você não sabe manejar seus recursos e a natureza. Para nós foi muito importante o processo de pesquisa sobre o calendário ecológico. É o conhecedor quem entende do calendário ecológico-quando vamos trabalhar, o que vamos trabalhar, observando as constelações".

Se você não respeita o conhecedor, você não está respeitando seu território; se você não consulta o conhecedor, você não sabe manejar seus recursos e a natureza.

Nos dois primeiros dias sucederam-se apresentações dos Aimas de cinco sub-regiões: (1) Içana e Aiary, incluindo o alto Içana colombiano (Associación de Comunidades Unidas de los rio Isana y Surubi); (2) Baixo Uaupés; (3) Tiquié, incluindo setor colombiano da AATIZOT (Associación de Autoridades Tradicionales de la Zona Tiquié); (4) Entorno da cidade de São Gabriel da Cachoeira; (5) Médio rio Negro-municípios de Santa Isabel e Barcelos. Todos apresentaram e discutiram questões relacionadas a seus instrumentos e metodologias de pesquisa, rotinas de observações, registros e conversas com os moradores das comunidades, como propiciam a circulação de saberes dos conhecedores mais velhos. Oficinas periódicas em cada região foram destacadas como importantes momentos de produção colaborativa e circulação de conhecimentos, quando pesquisadores indígenas se concentram para a organização e interpretação das informações ao lado de conhecedores mais velhos, assessores e pesquisadores convidados.

Foram bastante discutidas as formas de coletar, organizar e analisar informações, assim como a produção de materiais de divulgação para as comunidades indígenas. Também foram apresentadas ferramentas tecnológicas como o uso de tablets e formulários eletrônicos na plataforma ODK, que favorecem o registro mais pautado de observações ambientais e climáticas, permitindo armazenar os dados sem necessidade de conexão à internet.

Esses formulários atualmente em uso foram elaborados a partir do conhecimento indígena sobre o calendário anual, apresentando questões referentes ao manejo do sistema agrícola, migração e reprodução de peixes, aves, animais de pelo, bichos-de-casco, insetos e anfíbios, floração e frutificação de plantas, doenças, estações do ano e constelações que são referência para nomeá-las. No curso dessa pesquisa colaborativa, enquanto dados estão sendo coletados numa escala geográfica e de diversidade socioambiental mais abrangente pelo conjunto dos AIMAs, a própria ferramenta de coleta e processamento agiliza a organização dos dados. Assim avança-se mais rapidamente para sua interpretação com os pesquisadores e conhecedores indígenas nas comunidades. Antes, a informação anotada nos diários manuscritos demorava muito para ser separada e tabulada. Os diários, que continuam a fazer parte da pesquisa, trazem o contexto e o cotidiano do manejo e da vivência nas comunidades, além de serem uma memória para as futuras gerações.

Na tarde do terceiro dia do Encontro, Guillermo Estupinan (WCS) apresentou a plataforma Ictio, piloto de um projeto de ciência cidadã, que adota um aplicativo de celular para registrar observações sobre pesca e monitorar a migração de grandes bagres na bacia amazônica, que está em teste em 14 regiões de cinco países amazônicos. Falou da preocupação com o retorno dessas informações, amplificando o interesse da pesquisa justamente por aqueles que coletam os dados.

Na manhã do quarto dia, Guilherme Costa, do Serviço Geológico do Brasil, explicou como são feitas as coletas de dados dos níveis fluviais, vazões, chuvas, climatologia, qualidade da água e sedimentos no Sistema de Informações Hidrológicas, e de como esses dados são processados e disponibilizados ao público. Contou da rotina para recolher os dados e calibrar os instrumentos de medição, que envolve de duas a quatro viagens anuais para as diversas estações espalhadas pela região. Esse sistema possibilita o monitoramento de "ocorrência de eventos hidrológicos considerados críticos, inundações e secas, e planejar medidas de mitigação dos impactos decorrente desses eventos". Tais dados já vêm sendo utilizados pelos Aimas, pois o regime de chuvas e os pulsos de vazante e crescida dos rios tem grande importância no manejo da pesca, das roças, identificação das estações e em muitos outros aspectos do calendário ecológico-econômico.

Os pesquisadores indígenas apresentaram seus calendários anuais reunindo aspectos ecológicos, socioeconômicos, rituais, bem como as constelações astronômicas que servem de referência. Foi interessante poder comparar os ciclos das sete regiões que representam, tão diversas socioambientalmente mas com tantos conhecimentos e práticas compartilhados por povos que convivem aí há muitas gerações; povos e regiões para quem as constelações astronômicas-a partir das quais são nomeadas as estações chuvosas, de repiquete dos rios-são comuns, destacando-se jararaca ou cobra-grande (boiuassu), camarão, jacundá e jirau-de-peixe, como podemos ver nos desenhos abaixo.

A circulação de complexos e detalhados conhecimentos que integram o calendário anual desses povos é um passo na direção da governança ambiental e climática da bacia do rio Negro. Visando a escala de manejo da bacia, gera-se conhecimentos a partir das comunidades, mas garante-se o intercâmbio entre povos de diferentes regiões, que vivenciaram de distintas formas a história do contato e a formação do movimento indígena. Os pesquisadores das cabeceiras dos Rios Tiquié, Içana e Pirá-Paraná vêm de regiões onde os cursos de rio são estreitos e o nível de suas águas variam muito em função das chuvas; já outros vêm dos rios de grande porte, como o Negro e o Uaupés, caracterizados por uma dinâmica de vazantes e crescidas muito mais lenta e estável. Assim, mesmo constatando as características próprias de cada região, o intercâmbio inspira ideias sobre o ciclo anual.

Imagens dos ciclos anuais

Apoiando a integração entre o AIMA e a comunidade onde reside, assim como a participação dos moradores em atividades conjuntas, debateu-se o incentivo à produção de materiais para trabalhar com as escolas comunitárias em temáticas como a do manejo do lixo e calendário econômico-ecológico. A revista semestral Aru, editada a partir do trabalho dos pesquisadores indígenas e colaboradores, está cumprindo esse papel, repassando informações, discutindo boas práticas de manejo e a sustentabilidade dos recursos necessários (peixes, bichos de casco, recursos florestais, caça etc.); mas materiais complementares com orientações pedagógicas também foram propostos. Durante o Encontro foi lançado seu segundo número da Aru, que traz um especial sobre o sistema agrícola. Na ocasião, vários AIMAs que colaboraram para esse número falaram sobre a importância de publicar suas pesquisas para atingir um público mais amplo.

Vários casos de tensões por conta da invasão de áreas de pesca de comunidades foram relatados, indicando a necessidade de um programa mais robusto de apoio à implementação de acordos de manejo intercomunitário no baixo Uaupés, rio Curicuriari e Tiquié, alguns deles já iniciados, mas que carecem de apoio mais permanente. Destacou-se que os AIMAs não têm a função de fiscalizar ou agir por conta própria, mas podem catalisar esforços animando esse assunto em suas comunidades. O mesmo em relação ao lixo, um problema crescente agravado pela monetarização decorrente dos programas de transferência de renda, e da maior mobilidade entre comunidades e cidades. Recomendou-se designar alguns AIMAs para trabalharem esse tema junto às instituições públicas e escolas, com apoio da FOIRN e do ISA.

Além dos temas mais amplos e de interesse geral, AIMAs de algumas regiões mostraram pesquisas mais específicas que vêm desenvolvendo, relacionadas às roças, produção de alimentos (pimenta e tucupi), meliponicultura, plantas frutíferas e usadas no extrativismo, como a piaçaba.

Atualmente, 52 AIMAs fazem parte de uma rede de pesquisa e monitoramento ambiental e climático que se estende por regiões dos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos.

Na tarde do segundo dia do Encontro, Marivelton Barroso (presidente da FOIRN) apresentou o processo de elaboração dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental das sete terras indígenas do Alto e Médio Rio Negro, que tem relação estreita com o trabalho dos AIMAs e para o qual vários deles têm aportado, tanto na fase de levantamento de dados nas comunidades, quanto participando em oficinas ao longo dos últimos dois anos. Falou também das últimas assembleias regionais que estão acontecendo nesses dias. "Na Assembleia da FOIRN eles serão validados e aprovados. Para o ano que vem teremos a última fase dos planos de gestão, que será sua publicação e ampliar sua divulgação, seja para as comunidades, os parceiros e as instituições públicas, para a gente ter isso pronto! " Mas o trabalho não termina aí, já que não há recursos assegurados para sua implementação-disse ele. Já está em curso uma iniciativa de construir um projeto da FOIRN para o Fundo Amazônia.

Na manhã do terceiro dia da oficina apresentaram-se os representantes das organizações ACAIPI e ACIYA, que são AATIs parceiras da Fundação Gaia Amazonas (FGA). Noel Mejia, Reynel Ortega e Miguel Nuñez, da ACAIPI, com Nelson Ortiz da FGA, mostraram como o fortalecimento da ACAIPI do rio Pirá-Paraná se dá em torno de programas locais de pesquisa endógena que promovem o modelo holístico de gestão territorial e ambiental baseado no conhecimento tradicional dos conhecedores jaguares de jurupari Hee Yaia Keti Oka. Este acervo de línguas, conhecimentos e práticas culturais de gestão do Território dos Jaguares de Jurupari foi, em 2009, incrito pelo Ministério da Cultura da Colômbia na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Nação e, em 2010, reconhecido como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Paralelamente, a ACAIPI formulou o Plano Especial de Salvaguarda-PES-para a proteção integral desse sistema de conhecimento, apoiado pelo Estado colombiano por meio da Resolução 1690 de 2010. Alguns pontos a destacar nesse Plano são: o fortalecimento das malocas, que devem continuar a ser construídas e usadas como centro da vida ritual (com recursos próprios, sem depender ajuda externa para tanto, para não perderem sua autonomia); os planos de manejo a partir do calendário anual; e o respeito aos lugares sagrados.

Jairo Macuna, da ACIYA do Rio Apapóris, junto com o assessor da FGA, relataram a constituição do Parque Natural Nacional Yaigojé Apaporis. O Parque, sobreposto ao território indígena, significa uma proteção necessária frente à pressão de grandes empresas mineradoras. Sua criação foi possível graças a um acordo para que a função pública de conservação e gestão ambiental da área protegida fosse coordenada, entre a Autoridade Pública Indígena e o Sistema Nacional de Parques Naturais da Colômbia, através da construção e implementação de um Regime Especial de Manejo (REM) com base nos sistemas culturais de regulação e manejo do território pelos povos indígenas que ali vivem. A partir de 2012, com o apoio da Gaia Amazonas, a construção do REM foi iniciada por meio de um programa de pesquisa local em que participaram todos os grupos étnicos desse território. O processo culminou em 2018 com a aprovação do REM, tanto pela autoridade indígena (ACIYA), quanto pelo governo nacional representado por Parques Nacionales. A assinatura deste REM representa um marco na conservação de áreas e reconhece o trabalho feito pelos povos indígenas nesta parte da Amazônia por milênios.

As últimas sessões do Encontro foram dedicadas a trabalhos de grupo, dedicados a reunir e apresentar as principais ideias e recomendações que circularam, orientado pela questão de como a pesquisa dos AIMAs pode contribuir para o manejo e a governança de seus territórios. Divididos em cinco grupos de diferentes regiões para essa última troca de informações e experiências, cada um(a), a partir de suas pesquisas, sugeriu ações ou temas a serem desenvolvidos em seus territórios e em toda rede de pesquisa. Várias propostas convergem com aquelas reunidas na última oficina do PGTA realizada em julho passado.

Nas falas de encerramento do Encontro, Carlos Neri, coordenador dos AIMAs de Santa Isabel, afirmou: "Esse trabalho desenvolvido por nós pesquisadores indígenas tem uma importância muito grande, principalmente nesse momento de consolidação do plano de gestão [PGTA] das terras indígenas da nossa região; o projeto PMAC tem muito a contribuir nesse sentido, e nós temos que ter a preocupação da continuidade, tendo em vista que sendo um projeto, ele tem um início e tem um término. A continuidade, mesmo com mudanças, deve manter essa característica de colocar o indígena como protagonista da pesquisa. Esse é o foco principal desse projeto. Há anos que o Rio Negro é pesquisado por pessoas que vêm de fora, e muitos não deram retorno. Pouco retorno se teve nesses anos. Também esse projeto é uma chamada de atenção e pode incidir em uma política pública do governo brasileiro, no sentido de fomentar e incentivar projetos específicos para a pesquisa indígena. O governo brasileiro tem dado pouca atenção a isso, e nosso projeto serve de exemplo, mostrando que os indígenas são capazes de serem os pesquisadores para a elaboração e a concretização de uma gestão, de uma governança, de uma autonomia, de continuar gerando sustentabilidade, melhoria de renda, melhoria de vida das comunidades dos povos indígenas, preservando e guardando seus conhecimentos do meio ambiente em que vivem. Esse momento também é um em que cada qual se volta para si mesmo, esse foi o chamado desse evento, a voltarmos a nós mesmos, cada um como pessoa, como povo, como indígena, o que estou fazendo e o que posso fazer daqui pra frente. Fizemos uma reflexão para o futuro dos povos indígenas do Rio Negro como um todo, incluindo aqueles que estão além das fronteiras do Brasil. É importante saber que do outro lado da fronteira, os parentes estão na mesma luta para garantir a continuidade do conhecimento tradicional, do resgate daquilo que foi perdido. Nós não perdemos a nossa história, nós não perdemos os nossos costumes porque quisemos, nós somos vítimas de uma colonização que perdurou 518 anos, mas também somos símbolos de uma resistência, e é essa resistência que nos faz estar juntos aqui. Nós só vamos continuar resistindo, nós só vamos continuar lutando, a partir do momento que tivermos mais conscientes do papel que temos como agentes de transformação dentro de nossas comunidades, dentro de nossas associações, dentro da sociedade do Rio Negro."

Edgar Lima, disse que "são as mesmas coisas que vocês trabalham aqui e nós na Colômbia, pensei que pesquisavam outras coisas, mas são as mesmas-o calendário, a soberania alimentar... não há diferenças, são coisas que intercambiamos nesse Encontro, porque não alcançamos pesquisar todos os conhecimentos, cada conhecedor tem seu próprio conhecimento. Não podemos dizer que a cultural indígena esteja perdida, ela existe, com a pesquisa recupera-se tudo. Se não se investiga, não se fala com os velhos, alguém pode pensar que a cultura tenha se perdido. Mas ela existe, existe! Mas não a praticamos como os conhecedores que ficavam, pelas seis da tarde, mambeando, fabricando ipadu, contando as histórias a seus netos, até uma da madrugada. Hoje se eles dizem para acordar cedo para ir banhar, [os jovens] acham que estão ralhando. Hoje nós, da nova geração, recebemos os conselhos dos mais velhos como ralhação. Tudo o que os mais velhos falam os jovens veem assim, os jovens querem fazer do jeito deles, de qualquer jeito, matar-se, enfermar-se, atirar-se na água. É assim que pensamos hoje em dia os jovens. Escutamos muito de suicídio, não sei porque se suicida a geração de hoje em dia, não querem viver! Pensemos em nosso futuro, pensemos em nossos filhos, não pensemos só em nós mesmos. Precisam dar mais oportunidades aos jovens, queremos aprender muitas coisas. Nós somos indígenas, mesmo colocando boas roupas, óculos, boné, sapato, carreguemos um celular... somos indígenas. Não perdemos nossa cultura. Nunca vamos ser brancos, vamos continuar sendo indígenas."

https://medium.com/@socioambiental/s%C3%A3o-os-mais-velhos-que-ensinam-…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.