GM, Saneamento & Meio Ambiente, p.A19
29 de Mar de 2004
São Francisco em projeto mundial
Brasília, 29 de Março de 2004 - Meta é o uso racional de recursos hídricos na produção de alimentos. A Bacia do Rio São Francisco foi escolhida para participar de uma grande iniciativa mundial que busca o uso racional da água na produção de alimentos, o alívio da pobreza, a garantia de segurança alimentar e a prevenção ambiental. Chamado de Desafio sobre Água e Alimento, o projeto vai atingir outras oito bacias hidrográficas no mundo: Nilo, Indo-Gangético, Mekong, Limpopo, Volta, Rio Amarelo, Karkheh e Andes. Seu orçamento, em princípio, é de US$ 55 milhões. "Mas podemos chegar a US$ 100 milhões", informou Frank Rijsberman, diretor geral do Instituto Internacional de Manejo de Água (IWMI) e presidente do comitê diretivo do programa Desafio sobre Água e Alimento. Ele está no Brasil desde a semana passada, para discutir os aspectos técnicos do projeto. Segundo Rijsberman, as ações são de longo prazo e bancadas por um consórcio de 19 instituições internacionais e nacionais. "Pela primeira vez na história, a água se tornou a prioridade da agenda agrícola mundial", disse. "Em síntese, o mundo está interessado em descobrir como produzir mais, usando menos recursos naturais", completou. O projeto brasileiro envolve quatro sub-projetos e um orçamento de US$ 5,9 milhões para o primeiro edital, sendo US$ 2,6 milhões oriundos de recursos externos. Os trabalhos são coordenados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e terão início neste ano. A escolha da Bacia do São Francisco como um dos alvo dos trabalhos na América Latina foi baseada em estudos da Embrapa que mostram que a água do rio é utilizada de modo intenso, agrega vários conflitos de interesse e uma boa carga de alteração ambiental. Segundo o chefe da Superintendência de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Geraldo Eugênio, o São Francisco beneficia 16 milhões de pessoas em vários estados e enfrenta uma série de problemas, como poluição, erosão, desmatamento, não-tratamento de esgotos das cidades ribeirinhas e redução do estoque de peixes. Os projetos brasileiros a serem financiados vão tratar de questões como desenvolvimento de cereais e leguminosas para sistemas de cultivos sustentável, para a segurança alimentar e o bem-estar das comunidades da região; incremento da produtividade de uso de água em ambientes agrícolas, e modelagem de manejo e uso de água para fins agrícolas na Bacia do Paracatu. Rijsberman afirmou que o Brasil tem grande contribuição a dar ao projeto mundial, por ter uma legislação pioneira de gestão de recursos hídricos e em função da experiência de pesquisas e tecnologias da Embrapa. "Estes conhecimentos poderão ser usados no manejo de bacias do outro lado do mundo", afirmou. E vice-versa. Até 2025, segundo ele, a produção de cereais no mundo terá que dobrar para manter o ritmo de crescimento e que, por isso, o mundo inteiro está preocupado em encontrar soluções para esta equação cada vez mais difícil. "Mais comida por cada gôta d´água pode soar ambicioso, mas é o único modo possível no futuro", acrescentou. Por isso, as pesquisas incluem o desenvolvimento de espécies mais resistentes a secas e à salinidade, que necessitam menos água, e técnicas de cultivo que utilizem modos de irrigação mais eficientes. Além da Embrapa e do Instituto Internacional de Manejo de Água, estão envolvidas nos projetos da Bacia do São Francisco a Universidade Federal de Viçosa, Empresa de Assistência e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA), Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Companhia de Desenvolvimento do Vale de São Francisco (Codevasf) e Agência Nacional de Águas (ANA), entre outras empresas e instituições. kicker: Orçamento da parte inicial brasileira é de US$ 5,9 milhões, com recursos externos GM, 29/03/2004, p. A19
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.