VOLTAR

Santo Antônio terá mais duas turbinas ativadas até dezembro

Valor Econômico, Especial/Energia, p. F6
28 de Ago de 2015

Santo Antônio terá mais duas turbinas ativadas até dezembro

Por Domingos Zaparolli

Nos meses de novembro e dezembro duas novas turbinas entrarão em operação na hidrelétrica de Santo Antônio, somando-se às 32 que foram progressivamente ativadas desde março de 2012. A usina passará, com isso, a ter uma capacidade de geração de 2.356 megawatts (MWs). Ao todo serão 50 turbinas. A previsão é que a última seja instalada em novembro de 2016. Concluída, Santo Antônio terá uma potência instalada de 3.568 MWs com produção de 2.424 MWs médios, consolidando-se como a quinta maior geradora hidrelétrica do país. A usina representará um incremento de cerca de 4% na carga elétrica nacional.
Santo Antônio é uma das duas hidrelétricas em construção no Rio Madeira, em seu percurso por Rondônia - a outra é Jirau. Está à jusante. Instalada a 7 km da capital, Porto Velho. É resultado de uma parceria entre as companhias Furnas Centrais Elétricas, Caixa FIP Amazônia Energia, Odebrecht Energia, SAAG Investimentos e Cemig Geração e Transmissão.
O orçamento inicial, estabelecido em 2008, previa investimento de R$ 16 bilhões. Eduardo de Melo Pinto, presidente da Santo Antônio Energia, diz que, atualizado, o investimento hoje é da ordem de R$ 20 bilhões. Além da correção de valores,
houve um incremento por conta de mudanças no projeto. "Em relação à previsão inicial, foram adicionados mais R$ 1,5 bilhão para ampliar a capacidade de geração, com a instalação de seis turbinas adicionais. Houve ainda a instalação de um segundo vertedouro para a passagem de troncos e a substituição das pás das turbinas de ferro fundido para inox. Também houve um incremento de custos por conta de greves ocorridas", diz o executivo.
Um desafio tecnológico na construção de Santo Antônio, segundo Eduardo Pinto, está relacionado à decisão de usar um modelo de operação a fio d'água, que dispensa a formação de grandes reservatórios e aproveita as características do rio Madeira, alta vazão e pequena queda d'água. O objetivo foi diminuir o impacto ambiental de um reservatório de grandes proporções. O reservatório da usina ocupa 421,56 km², área, segundo dados da companhia, pouco superior ao perímetro alagado nos períodos de cheia do Madeira.
Para viabilizar a geração fio d'água, Santo Antônio optou por um modelo de turbina pouco usual no parque gerador brasileiro, tipo bulbo, que funciona posicionada horizontalmente. O tradicional no país são as turbinas verticais, tipo Francis e Kaplan, que precisam de grandes quedas de água para serem acionadas. As turbinas bulbo da usina possuem capacidade média para gerar 71 MWs cada."Estão entre as maiores turbinas bulbo do mundo, o que exigiu um grande esforço de desenvolvimento dos fornecedores de tecnologia", diz o executivo.
Marcelo Thomé da Silva Almeida, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (Fiero), diz que as hidrelétricas do Madeira trazem dois benefícios para o Estado. O primeiro, já se concretizou, está relacionado aos investimentos realizados na qualificação de mão de obra local. O outro benefício ainda não. Pelos cálculos da Fiero, o custo da energia em Rondônia é 6,9% acima da média nacional. A expectativa do empresário é que a entrada em operação plena das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau proporcionem segurança energética e também redução de custos.
Cerca de 80% da mão de obra utilizada na construção e montagem de Santo Antônio é de Rondônia, pessoal treinado por programas de qualificação profissional estabelecidos pela Odebrecht, empresa líder do consórcio construtor. A Santo Antônio promoveu treinamento e estabeleceu parcerias com o Senai e Furnas para qualificar profissionais para trabalhar na operação da usina, atividade que hoje emprega 480 pessoas, sendo 82% em Porto Velho.

Valor Econômico, 28/08/2015, Especial/Energia, p. F6

http://www.valor.com.br/brasil/4199378/santo-antonio-tera-mais-duas-tur…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.