O Globo, País, p. 10
02 de Out de 2013
Saneamento avança devagar
Trata Brasil aponta que 61% do esgoto das cem maiores cidades não são tratados
GUSTAVO URIBE
gustavo.uribe@sp.oglobo.com.br
-SÃO PAULO- A universalização do saneamento básico, promessa recorrente em período de campanha eleitoral, ainda está longe de ser alcançada no país. A última edição da pesquisa do Instituto Trata Brasil, divulgada ontem, revelou que 61,52% do volume de esgoto gerado nas cem maiores cidades do país não passaram por tratamento adequado em 2011. O percentual representa um total de 3,2 bilhões de m³ de esgoto, o equivalente a um volume de 3.500 piscinas olímpicas de resíduos despejados diariamente nos rios e mares do país.
O percentual representa um total de 3,2 bilhões de metros cúbicos de esgoto, o equivalente a um volume de 3.500 piscinas olímpicas de resíduos despejados diariamente nos rios e mares do país.
Em 2010, o volume de esgoto não tratado era maior, representava 63,72% do total. O avanço, na avaliação da entidade, tem sido, contudo, insuficiente para que o país cumpra a meta estabelecida pelo governo federal de universalizar o serviço de saneamento básico em 20 anos. O estudo mostrou ainda que 38,6% da população das maiores cidades não têm acesso à coleta de resíduos, total de 30,1 milhões de pessoas.
No período de 2007 a 2011, intervalo histórico estudado pelo levantamento, variou de 59% a 61,4% a fatia da população com acesso à coleta de esgoto e oscilou de 90% para 92,2% o estrato da sociedade com água tratada.
- A universalização deve ser alcançada no dobro do tempo estimado pelo governo federal se seguir o atual ritmo.
A última estimativa do Plano Nacional de Saneamento Básico foi de que, apenas para água e esgoto, são necessários R$ 302 bilhões até 2033. Em um cálculo simples, chega-se a uma média entre R$ 15 e R$ 16 bilhões em obras por ano.
O máximo que se conseguiu chegar foi, em 2010, R$ 8,9 bilhões. Ou seja, nós estamos na metade da velocidade necessária - explicou o diretor executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos.
Em praticamente metade das cem maiores cidades do país, segundo a pesquisa, o índice de atendimento em coleta de esgoto ficou abaixo de 60% da população municipal. O levantamento mostrou também que 53% das maiores cidades investiram, em 2011, menos de 20% de sua arrecadação na expansão dos serviços de coleta de resíduos e 40% delas fizeram menos de 20% das ligações necessárias de esgoto.
Segundo a pesquisa, a média das perdas financeiras com a água, ocasionadas entre outros fatores por vazamentos, roubos e ligações clandestinas, foi de 40,08% em 2011, percentual superior à média nacional, que foi de 38%. No mesmo período, em média, 74% dos cem maiores municípios apresentaram perdas maiores que 30%.
O Instituto Trata Brasil também divulgou ontem o ranking de saneamento básico das cem maiores cidades do país. Nas primeiras posições, ficaram os municípios de Uberlândia (MG), Jundiaí (SP), Maringá (PR), Limeira (SP), Sorocaba (SP) e Franca (SP). A cidade de Niterói (RJ), que em 2010 estava na 9ª posição, passou para a 12ª em 2011. As vinte primeiras cidades no ranking estão concentradas no estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraná
O Rio de Janeiro caiu vinte posições, entre 2010 e 2011, e passou do 37o para o 57o lugar no ranking. A capital fluminense, que apresentou um índice de coleta de esgoto de 77,85% da população, ficou atrás de outras capitais como Curitiba (10ª), Belo Horizonte (19ª), São Paulo (23ª), entre outras. Segundo Édison Carlos, a queda não se deve à piora dos serviços de saneamento básico, mas a um avanço pequeno da cidade em comparação a outras do país.
- Não significa que a cidade piorou, mas que ela não melhorou tanto. O Rio de Janeiro estacionou em 90,66% de população atendida com água tratada. Nós já temos 23 cidades com 100%. Em investimentos, nos quatro últimos anos, a capital fluminense oscila na faixa de R$ 100 e R$ 120 milhões, o que é pouco para uma cidade do seu tamanho. São Paulo, por exemplo, investiu R$ 890 milhões - avaliou.
As seis últimas colocadas entre as cem maiores cidades foram Ananindeua (PA), Santarém (PA), Macapá (AP), Jabotão dos Guararapes (PE), Belém (PA) e Porto Velho (RO). Os municípios também apareceram no final do ranking de 2010, mas invertendo posições. A primeira colocada no ranking, Uberlândia (MG), também é a cidade que, no levantamento, cobra a segunda menor tarifa de água: R$ 0,89 por m³.
As demais cidades fluminenses citadas são Volta Redonda (25ª), Petrópolis (27ª), Campos dos Goytacazes (50ª), Belford Roxo (78ª), São Gonçalo (86ª), São João de Meriti (87ª), Nova Iguaçu (88ª) e Duque de Caxias (94ª).
Números
3,2 BILHÕES DE METROS CÚBICOS de detritos eram produzidos e não eram tratados no Brasil, em 2011. Isso daria para encher 3,5 mil piscinas olímpicas por dia
61,52% É O VOLUME DE ESGOTO gerado que, em 2011, não passava por qualquer tratamento
38,6% DA POPULAÇÃO DAS CEM maiores cidades do país não tinham, em 2011, acesso à coleta de resíduos. Em 2010, o percentual era de 40%
53% DAS CEM MAIORES CIDADES investiram, em 2011, menos de 20% de sua arrecadação na expansão dos serviços de coleta de resíduos
40% DAS CEM MAIORES CIDADES fizeram, em 2011, menos de 20% das ligações necessárias de esgoto
O Globo, 02/10/2013, País, p. 10
http://oglobo.globo.com/pais/nas-cem-maiores-cidades-do-pais-6152-do-es…
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