OESP, Metrópole, p. A17
21 de Out de 2014
Sabesp tira 3,2 bilhões de litros da 2ª reserva
Regras para usar 2o volume morto estão sendo negociadas; nível do Sistema Cantareira está em 3,5%
Fabio Leite
Boletim de monitoramento do Sistema Cantareira divulgado ontem pelos órgãos reguladores do manancial mostra que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) já retirou 3,2 bilhões de litros da segunda cota do volume morto na Represa Atibainha, em Nazaré Paulista, um dos reservatórios do sistema. O uso dessa segunda reserva profunda de água, que fica abaixo do nível das comportas, ainda não foi formalmente autorizado. Nesta segunda, o sistema estava com 3,5% da capacidade.
Segundo uma resolução do dia 7 de julho da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE), que regulam o manancial, a retirada dos 182,5 bilhões de litros do primeiro volume morto do Cantareira, iniciada no dia 31 de maio, deve ocorrer até a cota de 815 metros das Represas Jaguari-Jacareí, na região de Bragança Paulista, totalizando 104,3 bilhões de litros, e até a cota de 777 metros na Represa Atibainha, que compreende 78,2 bilhões de litros adicionais.
Ontem, contudo, segundo o boletim técnico, o nível da água na Atibainha já estava na cota 776,77, ou seja, 23 centímetros abaixo do limite mínimo autorizado para captação. O patamar corresponde a 3,2 bilhões de litros retirados da represa para abastecer a Grande São Paulo e a região de Campinas, deixando o reservatório com capacidade negativa em 3,32%. Nas represas Jaguari-Jacareí restavam ainda 21,3 bilhões de litros da primeira cota do volume morto, ou 2,63% da capacidade. Os dados são fornecidos aos órgãos pela própria Sabesp.
No dia 14, uma vistoria feita pela ANA na Atibainha constatou que o nível da água estava 38 centímetros abaixo da cota mínima autorizada. No relatório da Sabesp daquele dia, porém, o nível estava 2 centímetros acima do limite e só zerou no dia 15, quando técnicos da agência voltaram ao reservatório e identificaram que as réguas de medição haviam desaparecido.
O presidente da ANA, Vicente Andreu, pediu providências ao DAEE. À época, o uso da segunda reserva estava proibido por uma liminar obtida pelo Ministério Público na Justiça Federal. A medida, contudo, foi revertida pelo governo paulista no dia 16. No dia seguinte, a ANA aceitou liberar a segunda reserva em parcelas, mas com regras que ainda estão sendo negociadas. Em nota, a Sabesp nega descumprir a regra porque ainda há água do primeiro volume morto na Jaguari-Jacareí.
Lago. Em Limeira, o Rio Jaguari ficou 32 centímetros mais baixos em uma semana e a água teve problemas de qualidade. Para evitar o colapso, a captação ocorre em lago do Ribeirão do Pinhal. / Colaborou Rene Moreira, especial para o estado.
Sabesp lacra bomba de irrigação no interior paulista
Com apoio da Defesa Civil, funcionários da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) já lacraram mais de duzentas bombas usadas para irrigação de lavouras na zona rural de Piedade, região de Sorocaba. O município é um dos maiores produtores de frutas e hortaliças do Estado.
De acordo com a Defesa Civil, a medida tornou-se necessária em razão do risco de faltar água na cidade. Os 52,2 mil habitantes dependem da água do Rio Pirapora, o mesmo usado pela maioria dos agricultores. Os equipamentos de irrigação ficam lacrados por 24 horas e são reabertos por igual período.
Em Itu, na noite de ontem, moradores voltaram a protestar contra a falta de água. A Polícia Militar informou que os protestos, com barricadas, se espalharam por mais de uma via e contaram com 120 pessoas. Ninguém foi preso. / José Maria Tomazela
OESP, 21/10/2014, Metrópole, p. A17
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