OESP, Economia, p. B3
08 de Mar de 2011
Sabesp reduz desperdício e investe em Alagoas
Empresa reduz índice de perda de 32% para 26% e quer ganhar dinheiro prestando serviço
Edna Simão
As companhias de saneamento básico que investem em programas de redução de perdas já apresentam melhora nos indicadores de qualidade. A Sabesp, de São Paulo, conseguiu diminuir de 2006 para cá o seu índice de perda em seis pontos porcentuais - de 32% para 26%. O objetivo é atingir 13% de perdas em 2019, patamar de países desenvolvidos. Até lá, R$ 3,4 bilhões devem ser investidos.
Somente em 2009, a empresa investiu cerca de R$ 300 milhões em troca de redes e ramais. "Cada sistema tem uma realidade e as condições para redução de perdas ficam cada vez mais difíceis. Na primeira etapa é mais rápido para ver os resultados", disse o superintendente de Desenvolvimento Operacional da Sabesp, Eric Carozzi. "Mas chega uma hora em que a única solução efetiva é renovar a infraestrutura, e isso custa caro."
Além da meta de reduzir as perdas para 13% em 2019, a empresa está ganhando dinheiro exportando o seu programa para outros Estados. Fez, por exemplo, um contrato de investimento de R$ 20 milhões com a Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal), que deverá retornar aos cofres da Sabesp em 48 meses.
"Alocamos recursos, e não é a fundo perdido", informou o superintendente de Novos Negócios da Sabesp, Nilton Seuaciuc. Está em estudos na Sabesp a possibilidade de criação de uma empresa de participações apenas para emprestar dinheiro para Estados e municípios em dificuldades financeiras.
Risco de racionamento. Em Brasília, o Índice de Perdas de Faturamento era de 27,5% há três anos, segundo estudo da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb). Se nada for feito para aumentar a produção de água no prazo de dois anos, a cidade vai enfrentar um racionamento dentro de cinco anos.
Para evitar que isso aconteça, a Caesb pretende captar água do Lago Paranoá e fazer uma parceria com o Estado de Goiás para trazer água da barragem de Corumbá, em Luziânia. O estudo sobre a qualidade da água e sobre o quanto pode ser captado de água do Paranoá deve ser finalizado até o final deste ano.
"Existe muita oscilação da quantidade de água do lago, principalmente na seca. É preciso saber o que pode ser retirado para abastecimento de água para a população", afirmou o superintendente adjunto da área de Fiscalização da Agência Reguladora de Água, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa), Paulo Júnior.
Atualmente, 70% da água que chega à população brasiliense vêm da barragem de Santo Antonio do Descoberto, 20% da barragem Santa Maria, localizada dentro do Parque Nacional de Brasília, e 10% de sistemas isolados.
PAC vai destinar R$ 2 bilhões para a redução de perdas de água
Dinheiro, que ainda é considerado pouco, deve ser disponibilizado para as empresas no segundo semestre
Edna Simão
O governo federal pretende criar na segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) uma linha de crédito de R$ 2 bilhões para ajudar Estados e municípios a reduzirem o índice de perda de água em suas empresas que prestam serviços de saneamento básico.
O montante, que deverá estar disponível apenas no segundo semestre, ainda é considerado baixo para suprir as necessidades do País, porém, é o primeiro passo do governo para melhorar a situação de algumas cidades brasileiras.
Segundo o secretário nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, Leodegar Tiscoski, dos R$ 2 bilhões que serão destinados à redução de perdas, R$ 1 bilhão virá do Orçamento da União e o restante do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
"Nossa preocupação não é só com a execução das obras. É preciso pensar na manutenção dos sistemas atuais, no dia a dia, na sustentabilidade. Senão, um aterro sanitário, por exemplo, acaba se transformando em um lixão", explicou o secretário.
Criação de regras. Por enquanto, técnicos do Ministério das Cidades ainda estão elaborando as regras para liberação do dinheiro. "Estamos estabelecendo os critérios. Uma das variáveis para seleção pode ser o alto índice de perda", afirmou Tiscoski. Existem cidades, conforme o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento referentes a 2008, em que o índice de perdas de faturamento ultrapassa a marca dos 70%, frisou o secretário.
O temor, no entanto, é de emprestar dinheiro para essas empresas municipais e estaduais e não ter um resultado expressivo. A avaliação de alguns técnicos é de que priorizar uma cidade com uma situação intermediária, ou seja, que já apresenta algum tipo de preocupação com perdas, pode trazer resultados positivos com mais rapidez.
Sucateamento. Um dos Estados onde o índice de perdas de faturamento se aproxima da casa dos 70% é o Amapá. De acordo com o presidente da Companhia de Água e Esgoto do Amapá (Caesa), Ruy Smith, esse elevado índice de perda está vinculado ao sucateamento da empresa, que precisa de dinheiro para investir.
Smith, que assumiu o cargo no início deste mês, afirmou ter iniciado uma campanha no Estado para cadastrar todos os usuários do sistema. Essa é uma das medidas que estão sendo tomadas para diminuir perda de água no Estado.
OESP, 08/03/2011, Economia, p. B3
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/2011030/not_imp689102,0.php
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