VOLTAR

Sabesp quer manter outorga para Cantareira

OESP, Cidades, p. C5
28 de Mai de 2004

Sabesp quer manter outorga para Cantareira
Companhia e municípios da bacia do Piracicaba divergem em relação à retirada de água

MAURO MUG

O Plano Diretor de Abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo para 2025, em elaboração pelos técnicos da Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp), prevê outorga para transferir 31 metros cúbicos de água da Bacia Hidrográfica dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí para o Sistema Cantareira por mais 25 anos. O manancial é responsável pelo abastecimento de 9 milhões de pessoas da Grande São Paulo.
Esse foi o ponto mais polêmico do debate promovido pela Frente Parlamentar da Água, realizado ontem na Assembléia Legislativa. É que os 62 municípios que integram as três bacias querem justamente o contrário: a renovação da outorga, que vence no dia 5 de agosto, por apenas 10 anos e redução em 13% da transferência de água para São Paulo.
"Os 31 m3/s fazem falta para os moradores da Bacia do Piracicaba", reagiu o vice-presidente do Comitê da Bacia, Eduardo Lovo. "Não é justo que um plano elaborado pela Sabesp ainda tenha a intenção de passar mais 25 anos retirando essa quantidade de água da nossa região."
O comitê propõe que, na renovação da outorga, a Sabesp reduza gradativamente a quantidade de água retirada das três bacias e que o volume caia para 25 m3/s em 10 anos. "A Sabesp precisa encontrar outras alternativas para abastecer a capital sem penalizar os municípios de outras regiões, como reduzir o consumo per capita ou buscando outros pontos para a retirada de água", concluiu Lovo.
Para José Everaldo Vanzo, diretor de Produção da Sabesp, reduzir a vazão de água para a capital pode ter reflexos para a população da Grande São Paulo.
"Hoje, o custo da água no Sistema Cantareira é de R$ 0,03 por m3 . Caso se vá buscar água em Barra Bonita, no Médio Tietê, por exemplo, esse custo subiria para R$ 0,54% por m3."
Perdas - A redução das perdas de água por vazamento e desperdício foi outro ponto bastante debatido. O presidente da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento, Silvano Silvério, disse que a média de perdas de água no Estado é de 40%, sendo que 60% delas estão na irrigação. "Esse desperdícios tem reflexos drásticos na escassez da água e no valor cobrado dos usuários."

OESP, 28/05/2004, Cidades, p. C5

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.