OESP, Cidades, p. C1
04 de Fev de 2004
Sabesp pode anunciar racionamento esta semana
Segundo secretário, chuva nos reservatórios é insuficiente e "não dá para ficar esperando"
MAURO MUG e JANDER RAMON
O secretário de Energia e Recursos Hídricos, Mauro Arce, admitiu ontem que o racionamento de água poderá ser adotado ainda esta semana na região metropolitana, pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). "Não descarto a possibilidade de anunciarmos o racionamento.
Estamos chegando ao nosso limite. Não dá mais para ficar esperando."
Segundo ele, os mais recentes temporais que inundaram várias regiões da capital ficaram com precipitação concentrada somente na área metropolitana, longe das bacias de abastecimento, que sofrem de escassez de água.
"É uma coisa realmente impressionante, mas as chuvas não atingiram os Reservatórios da Cantareira e da Billings", informou, ao comentar que até o momento os reservatórios "andam de lado".
Das 7 horas de domingo até as 7 horas de ontem, uma chuva de 26,6 milímetros caiu sobre o Sistema Cantareira, responsável por 50% do abastecimento da Grande São Paulo. Apesar da precipitação ser considerada razoável pelos técnicos, o nível do reservatório subiu apenas 0,2 ponto porcentual, passando de 5,3% para 5,5%. "A situação é crítica, pois em janeiro choveu na área do reservatório 43% a menos do que a média histórica de 259,6 milímetros", observou o engenheiro João Francisco Soares, consultor da Agência da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê.
No Mirante de Santana, zona norte, há a prova de que as precipitações estão atingindo a cidade de maneira irregular. Nesse local, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) coletou 284,3 milímetros de precipitação - 13% superior à média histórica para a região, de 252,3 milímetros.
"Infelizmente, São Pedro está errando a pontaria", brincou a meteorologista Micheline Coelho, do Inmet. A chuva provocou o caos na cidade anteontem e uma morte.
Informal - "A Sabesp está adotando desde janeiro um racionamento branco", informou Soares. "Aproveitando o período de férias, quando milhares de pessoas deixaram a cidade, e um verão que não apresentou temperaturas elevadas, reduziu a vazão do Cantareira em 5 mil litros de água por segundo, passando dos normais 33 mil mil litros por segundo para 28 mil litros", disse o consultor. "Além disso, o espigão da Paulista, Osasco e alguns bairros da zona leste, antes abastecidos pelo Cantareira, passaram a receber água do Guarapiranga e do Alto Tietê."
Soares não acredita que essas medidas continuem sendo adotadas este mês. O retorno de milhares de pessoas que estavam de férias e o calor fazem aumentar o consumo. Por isso, ele acha que a Sabesp está sendo prudente demais em não determinar o racionamento, apostando nas chuvas deste mês e de março. "Se não ocorreram precipitações adequadas, a partir de abril, quando começa o período de estiagem, há o risco de se enfrentar um rodízio mais severo."
Decisão política - Arce refutou as críticas de que o racionamento dependa de uma decisão política do governo estadual.
"Antes fosse, porque eu já teria tomado. Nossa análise é puramente técnica, embora já saibamos o que fazer, não é fácil decidir colocar 9 milhões de pessoas em regime de rodízio", explicou.
As campanhas realizadas pela Sabesp para redução do consumo da população surtem efeito, assinalou Arce. Os gráficos da companhia referentes aos meses de novembro, dezembro e janeiro mostram que a produção de água está abaixo dos mesmos períodos de anos anteriores. "E não venham dizer que isso é redução da produção por falta de água. A população cumpre sua parte e atende o pedido da Sabesp pelo consumo mais racional da água."
OESP, 04/02/2004, Cidades, p. C1
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